Fern Bistrô surpreende com cardápio e ingredientes | Plural
Fide 2019
25 set 2019 - 22h40

Fern Bistrô surpreende com cardápio e ingredientes

Restaurante se inspira no formato de estabelecimentos japoneses e quer ser um lugar “para todo mundo”

Um pouco abaixo do cruzamento entre a Alferes Ângelo Sampaio e a Sete de Setembro, um conjunto de edificações estreitas, de apenas dois andares, se destaca em meio aos grandes prédios que ladeiam a via do expresso. Da esquina, a pitangueira que enfeita a calçada do número 1.041 recobre quase que totalmente a vista para a fachada do Fern bistrô. Ali, entre outros pequenos estabelecimentos, uma pequena mesa de apenas três lugares, um banco sem encosto e uma mesa alta denunciam o propósito por trás da fachada amadeirada.

Similar a um izakaya, bistrô tem proposta de atendimento direto, no balcão. Foto: Giorgia Prates

A recompensa, para quem resolve se aventurar por trás da vidraça com os dizeres “Good things happen here”, é um cardápio surpreendente com opções veganas, vegetarianas e carnívoras. E ingredientes inusitados. Ao pedir o prato do dia, durante o almoço, por exemplo, você pode se espantar com o sabor de uma flor de sabugueiro – uma planta alimentícia não convencional (PANC). Outra PANC que parece fazer sucesso no cardápio é a versão empanada de peixinho-da-horta, um petisco reservado para as noites.

Claro, vez ou outra, alguém torce o nariz, mas para Luana Letícia – bartender e responsável pelo atendimento na casa –, não há nada que não se contorne com uma boa conversa e simpatia. “Sempre falo: ‘quer experimentar?’. Dou uma esclarecida, explico como funciona, e daí a pessoa se interessa pelo diferente. A maioria das pessoas quer experimentar o novo”, diz. O segredo, de acordo com a cozinheira e dona do estabelecimento Fernanda Saltore, é a mistura com elementos mais tradicionais. “Se você fizer um suco só de ora-pro-nóbis, as pessoas não vão tomar”, diz.

Fernanda Saltore, cozinheira e dona do Fern bistrô. Foto: Giorgia Prates

No balcão de madeira – artesanal como todos os elementos da cozinha do Fern –, há apenas 12 lugares disponíveis. A ideia era, para Fernanda, justamente essa: atendimento direto, numa estrutura enxuta. “Eu não queria muito funcionário e uma estrutura grande. Achava que era muito para a minha cabeça”, diz. Aos 35 anos, mãe da pequena Cecília, de apenas oito meses, Fernanda teve experiência na cozinha de diversos restaurantes da cidade e viu, em meio a grandes equipes e estruturas, que preferia essa espécie de minimalismo. O conceito veio no fim de uma viagem ao Japão, em 2015, com o marido – o tatuador Cacau Horihana, responsável pela estética do bistrô nos mínimos detalhes. Visualmente, o projeto lembra um izakaya, um tipo mais casual de bar que serve comida para acompanhar as bebidas. Mas a ideia veio mesmo da observação de pequenos lugares, quase como “portinhas”, nos quais os japoneses serviam comida. O Japão também inspirou a decoração do lugar e – claro – alguns pratos e petiscos do cardápio assinado pela cozinheira.

Além do conceito, a história de Fernanda com a cozinha também começou fora do país. Em 2012, ela foi, pela segunda vez, morar por um tempo na Inglaterra. Formada em design de moda, a viagem foi uma oportunidade de fazer algo novo: “Queria muito trabalhar na cozinha, aprender”, diz. Ao longo de dois meses, Fernanda dividiu seus dias entre aprendiz, trabalhando voluntariamente na cozinha, e garçonete de um restaurante. Quando voltou ao Brasil, resolveu fazer um curso técnico, se aperfeiçoar. “A cozinha é o meu lugar mesmo, é lá que eu me sinto à vontade”, diz.

Natural de Alta Floresta, no Mato Grosso, foi a paixão pelo clima da capital paranaense, e pela mistura das diferenças, que manteve Fernanda na cidade. “Gosto dessa ‘bagunça’ que às vezes é uma cidade maior, das pessoas, dessa mistura. Todo mundo é de fora, você sempre vai conhecer gente de todos os lugares”, diz. Não à toa, o Fern é – para ela – um ponto de encontro de toda essa mistura. “Eu gosto de falar que o bistrô é um lugar para todo mundo”, arremata.

Serviço
Fern bistrô
Rua Alferes Ângelo Sampaio, 1.041 (Água Verde)
De segunda a sexta-feira, almoço das 11h30 às 15h; aos sábados, das 11h30 às 16h; segunda e terça, jantar das 18h às 22h; de quarta a sexta-feira, das 18h às 23h.

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