20 maio 2022 - 15h50

Banda curitibana toca no casamento de Lula e Janja

Grupo liderado pela cantora Rogéria Holtz contou com Glauco Solter no baixo e foi responsável pela trilha sonora da cerimônia e da festa

O baixista Glauco Solter recebeu um telefonema um dia e mal acreditou no que estava ouvindo. Do outro lado da ligação estava a cantora Rogéria Holtz, com a seguinte pergunta: “Quer tocar no casamento do Lula?”. Parecia improvável, mas era verdade; o convite foi obviamente aceito e os dois, junto com mais cinco músicos, começaram a trabalhar no repertório.

A história que terminou com o grupo de curitibanos se apresentando no casamento de Lula e Janja, nesta semana, em São Paulo, começou há quase quatro décadas, quando Holtz fazia cursinho pré-vestibular no Positivo da Vicente Machado. “Na época, ainda ficava em cima de uma padaria”, conta ela.

A primeira

Uma das colegas vestibulandas naquele distante 1983 foi Rosângela da Silva, a Janja, que agora se tornou a terceira esposa de Luiz Inácio Lula da Silva – e candidata a ser a primeira paranaense a exercer a função de primeira-dama e a morar no Palácio do Alvorada.

Com o tempo, as duas perderam contato. “Meu nome continuou na mídia, como cantora, e ela me acompanhou de longe”, diz Holtz. As duas se reencontraram muitos anos mais tarde, “reapresentadas” pela professora Luciana Worms, especialista em geopolítica e amiga em comum.

“Janja e eu nos aproximamos muito. Fui cantar na Vigília Lula Livre algumas vezes. Com o Lula ainda preso, ela – já apaixonada – me disse: ‘Você vai cantar no meu casamento’. Eu falei que topava. Nem imaginei que ia acontecer mesmo”, diz a cantora.

Convite oficial

Com Lula livre e o casamento se aproximando, o convite se tornou oficial. De início, Rogéria Holtz faria um pocket-show, só com um tecladista, Léo Brandão. Mas a história foi ganhando corpo e surgiu a ideia de convidar o quarteto de Daniel Migliavacca, com quem a cantora tinha gravado um álbum (ainda inédito) só de músicas nacionais.

A ideia colou e a banda estava formada. Além de Rogéria Holtz nos vocais e Léo Brandão nos teclados, o grupo tinha Daniel Migliavacca no bandolim, Glauco Solter no baixo, Gustavo Moro no violão sete cordas e Luiz Rolim na bateria. Para completar, o violoncelista Ocello participou da empreitada.

O casamento de Lula e Janja

O grupo acabou se apresentando tanto na cerimônia quanto na festa. Na entrada de Janja, a escolha foi por uma “Ave Maria” instrumental. Mas de resto o repertório foi de música brasileira. Até Zeca Pagodinho esteve no repertório.

Glauco, o único que não participou da primeira parte, ficou sentado em meio aos convidados. “Foi muito emocionante ver tanta gente que admiro, que acho que pode ajudar a consertar esse país”, diz o baixista. “Duas cadeiras pra lá estava o Flávio Dino. Atrás de mim, o Freixo. Olhei pra frente e estava a Dilma, aquela guerreira”, conta ele, que confessa ter tietado um pouco alguns convidados.

As músicas

Na segunda parte do show, já na recepção, houve de tudo. Além do repertório do disco a ser lançado, intitulado “Pra ser feliz”, que mostra o samba brasileiro de Pixinguinha a Chico Buarque, passando por uma dezena de compositores, a banda tocou “Luar do Sertão”, a pedido do casal, e “Disparada”, que os músicos dizem ter sido o ponto mais emocionante do show.

Com vários músicos entre os convidados, a banda curitibana acabou tocando uma música de Maria Rita diante de Maria Rita; uma canção de Gilberto Gil diante de Gilberto Gil; e quando foi tocar Gonzaguinha, Daniela Mercury pediu para cantar junto. Janja também cantou “Amor de Índio” para Lula, e pediu que Rogéria Holtz ajudasse nos vocais.

Uma foto

No final, vários dos músicos conseguiram uma foto com o casal. “Era proibido ficar com celular, então a gente não pôde registrar nada”, diz Glauco Solter. “Quando o pessoal começou a fazer foto com os noivos, eu fiquei pertinho e fiz cara de pidão. O Lula acabou fazendo uma foto com a gente, inclusive segurando o estojo do baixo, como se fosse da banda”, conta ele.

Até agora, porém, o grupo não teve acesso a fotos nem vídeos. “É bom, assim vou publicando aos poucos no Instagram”, diz Rogéria. Mas os músicos dizem que as memórias ainda estão bem frescas. “Não consigo dormir direito ainda”, diz Holtz.

“Eu me senti num momento histórico, como se eu estivesse ao lado do D. Pedro I às margens do Ipiranga. Eu seria um daqueles anônimos bem na pontinha do quadro, “, diz Solter.

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2 comentários sobre “Banda curitibana toca no casamento de Lula e Janja

  1. Aquele Glauco Soter não tem o menor elan, pula mais que a macaca shit quando está no palco, parece que sente uma nescessidade de aparecer, é muito desagradável e constrangedor para quem está assistindo, deve ser um complexo de inferioridade que ele precisa sanear pois incomoda é muito deselegante!

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