28 fev 2022 - 10h00

“A filha perdida” leva a uma viagem íntima pelas culpas da maternidade

A ideia de sacrifício associada às mães concebe mulheres que sequer sabem como expressar frustrações e desilusões

De forma similar aos diversos papéis desempenhados pelas mulheres na sociedade, a maternidade é um construto que muda a partir das expectativas de cada geração. O atual imaginário popular vê a maternidade como uma vocação nata de toda mulher. A mulher existe para ser mãe e a mãe existe por e para seus filhos.

Essa ideia de abnegação e sacrifício concebe mães que não expressam – ou sequer sabem como expressar – suas frustrações e desilusões com a maternidade. É desse tabu que trata “A filha perdida”, em cartaz na Netflix.

Dirigido por Maggie Gyllenhaal, que assina o roteiro inspirado no livro homônimo de Elena Ferrante, “A filha perdida” recebeu três indicações ao Oscar 2022 (atriz, atriz coadjuvante e roteiro adaptado). A história acompanha a professora universitária Leda (Olivia Colman) que, durante as férias na Grécia, conhece a jovem mãe Nina (Dakota Johnson) quando a filha desta desaparece em uma praia. Então Leda se junta às buscas e encontra a menina brincando em uma área próxima da praia. No entanto, o episódio desencadeia uma série de lembranças sobre sua própria experiência como a jovem mãe de duas meninas.

“Mãe”

“A filha perdida”aborda a maternidade de um ponto de vista pouco explorado. Aqui, embora o amor da mãe por suas filhas seja evidente, a responsabilidade aliada à sobrecarga gera sentimentos bastante complexos. A maternidade tem o poder de apagar e reconstruir identidades. Dessa forma, a mulher deixa de ter um nome, se torna “Mãe”. Esse vínculo não se forma sem arrependimentos. Sejam eles com relação aos erros cometidos na criação dos filhos ou à vida que deixará de ser vivida para que aqueles pequenos sejam transformados em seres humanos independentes. Uma mãe daria a vida pelos filhos – e é exatamente isso que se espera que elas façam.

Leda, porém, decidiu seguir por outro caminho. Diante da oportunidade de viver as experiências que sempre desejou, ela optou por si mesma. E essa escolha também lhe trouxe culpa. Na maternidade, a culpa é inescapável. “A filha perdida” é uma reflexão sobre essas culpas e uma tentativa de torná-las algo que vá além disso.

Atrizes

Olivia Colman e Jessie Buckley interpretam a protagonista em momentos diferentes da vida. Enquanto a Leda de Colman é por vezes antipática e excêntrica, com momentos que permitem vislumbres da empatia que ela sente por Nina, a versão de Buckley é encantadora quando vista fora do ambiente moderno, como se Leda ganhasse vida ao se afastar do papel de mãe.

Com um ritmo dilatado, que se prolonga na companhia de Leda, “A filha perdida” oferece pouco mais de duas horas de um estudo de personagem que leva o espectador a uma viagem íntima por diversas emoções.

Streaming

“A filha perdida” está em cartaz na Netflix.

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