8 fev 2022 - 13h32

“A Família Mitchell” diverte com um pouquinho de anarquia e piadas absurdas

Memes, piadas com cachorro feio e falta de filtro dão o tom da animação em cartaz na Netflix

Os filmes de animação de empresas gigantes como a Pixar e a Disney chegaram a um grau de perfeição sensacional. Mas às vezes o que faz um desenho ficar realmente bom não é a perfeição técnica – pelo contrário, uma dose de anarquia é fundamental. E por isso “A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas” é tão engraçado. Porque em vez de se preocupar com ser perfeitinho demais, o filme se permite piadas e montagens completamente absurdas.

A história básica do filme – um dos indicados ao Oscar 2022 de melhor animação – não foge do convencional. Uma família fofa e disfuncional tem que enfrentar um problema aparentemente insolúvel. Mas eles acabam descobrindo que juntos podem tudo, basta superar as pequenas diferenças que existem entre eles etc etc. O resto você já adivinhou, e está tudo lá, inclusive o final feliz. Afinal, é basicamente um filme para crianças.

No caso dos Mitchells, o problema é um sistema operacional de celular que resolve dominar o mundo. Usando um exército de robôs, ele aprisiona todos os humanos em cápsulas a serem enviadas para o espaço. Os humanos, desesperados por wi-fi e entretenimento grátis, caem como patos na armação – e toda a humanidade sumiria no vácuo se não fosse pelos toscos dos Mitchells.

Mas a graça não está aí. Está, por exemplo, num meme de gorila que invade o filme meio do nada. Ou na falta de noção dos robôs, que são engraçadíssimos. E principalmente nas piadas com um cachorro tão feio que chega a dar tilt nas máquinas. Os robôs não conseguem decidir se aquilo é um cão, um porco ou um pão de forma, e pifam por causa disso.

A feiúra do cachorro é uma das grandes armas da humanidade contra os robôs. E a piada nunca perde a graça – os roteiristas perceberam isso. Aliás, o cachorro é quem dá o golpe de misericórdia no celular maligno que estava tentando dominar o planeta, mas obviamente nem se dá conta disso.

Claro que a historinha também tem lá sua graça. O pai apaixonado por chaves de fenda, a mãe assassina de robôs, o menino apaixonado pela vizinha são todos personagens excelentes. E a personagem central, Kate, é uma fofura só. Aliás, há uma sutil mensagem política no final, que pode passar despercebida para as crianças e que vai aterrorizar os ogros da vida real: ela acaba namorando outra menina.

Mas o mais bacana de “A família Mitchell e a revolta das máquinas” mesmo é a anarquia e a diversão em estado bruto, sem tantos filtros. É o tipo de filme para ver com as crianças e rir até dizer chega.

Streaming

“A família Mitchell e a revolta das máquinas” está em cartaz na Netflix.

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