26 ago 2021 - 15h13

10 artistas locais que estão prontos para deixar sua marca na fachada do MON

Curitiba tem muito muralista digno de museu – e o Plural te apresenta alguns deles

OSGEMEOS são geniais, sim, mas cá entre nós: em Curitiba também vivem muitos outros grafiteiros ponta firme e a fachada do Museu Oscar Niemeyer (MON) ainda tem muito espaço em branco. 

No começo da semana, lançamos a seguinte pergunta nas redes sociais do Plural: que artistas do grafite de Curitiba e região também merecem um registro na fachada de nosso principal museu de arte? Centenas de pessoas se manifestaram, muitas delas enaltecendo as pratas da casa e deixando boas indicações. O resultado você confere aqui: uma curadoria de 10 grafiteiros sobre os quais precisamos falar. 

Atenção, direção do MON: nota essa galera!

1. Rimon Guimarães

Mural “Bekokolari”, no Largo da Ordem. Foto: arquivo pessoal

Rimon Guimarães tem 33 anos e faz murais há 17. Ele cresceu no bairro Portão, mas hoje mora no Centro. Se você é curitibano, certamente já se deparou com a arte dele por aí. “Tenho influência direta de três manifestações culturais: dos povos indígenas, dos povos africanos e da arte naïf”, explica o artista.

Se fosse convidado para fazer um mural no MON, ele acha que passaria um tempinho estudando o espaço. “Eu produzo de acordo com o que vem na hora na cabeça, então eu ficaria olhando o MON até aparecerem imagens para eu materializar”. 

2. Ezequiel Moura 

Foto: arquivo pessoal

Ezekiel Moura tem 35 anos e vive no bairro São Francisco, pertinho do coração de Curitiba. Desde 2013, ele trabalha exclusivamente com arte e vende seu trabalho no Instagram. Se fosse convidado para fazer um mural de museu, ele fala que levaria a mesma arte que faz nas ruas.

“O trabalho de mural consiste na liberdade da ideia e do traço: os traços formando histórias dentro das histórias; personagens lúdicos, transcendentes, a grande maioria em preto e branco, como nas ilustrações”, conta o artista, que além de ser muralista, também ilustra e se aventura nas tirinhas. Ele gosta de usar canetas à base d’água e óleo.

3. Lala Luz

Mural na rua Presidente Faria, perto da UFPR. Foto: arquivo pessoal

Aos 23 anos, Lala Luz soma oito anos e meio de experiência com o grafite. Ela vive na divisa entre os bairros Boa Vista e Santa Cândida e se descreve como uma multiartista que explora a pintura a óleo e a gravura, além de ter feito vários murais espalhados pela cidade. 

“No grafite é onde me encontro mais, acho o grafite uma arte democrática que alcança pessoas de diferentes realidades sociais e pontos de vista. Com ele quero apresentar a arte feminina, as mulheres brasileiras sempre fortes e donas de si, sabendo o que querem. Tudo em um cenário brasileiro, amo focar nas paisagens do Brasil, fauna e flora típicas, dentro da linguagem urbana do grafite”, fala.

Se convidada para levar sua arte para as paredes dos museus de Curitiba, ela desenharia o que mais gosta: mulheres brasileiras. “Eu faria um grafite com uma mulher brasileira em cenário brasileiro, com uma paisagem de plantas típicas e talvez alguns pequenos animais como passarinhos e abelhinhas. Se fosse um espaço grande, faria três mulheres: uma branca, outra indígena e outra africana, representando os três pilares da cultura e origem brasileira.”

4. Bolacha

Foto: arquivo pessoal

João Paulo Rotava é conhecido por “Bolacha” pelos chegados. Autodidata, ele começou a desenhar por influência do irmão mais velho, em 1998. Hoje, mora no Sítio Cercado e já levou seu trampo para vários muros de Curitiba, do Chile e outras cidades do Brasil, como Rondônia, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, São Paulo e Santa Catarina. 

Bolacha já não se dedica mais exclusivamente ao grafite por conta do preço dos materiais, mas gosta da arte e garante que não desperdiçaria a oportunidade de pintar o MON. “Com toda certeza faria o melhor e mais detalhado trabalho, me dedicaria como meta de vida”.

5. Erika Lourenço

Mural no Centro Europeu. Foto: arquivo pessoal

Erika Lourenço tem 28 anos e faz pinturas desde 2018. Moradora do Ahú, ela produz artes que quase sempre se relacionam com o universo das mulheres e suas subjetividades. “Eu crio ilustrações digitais, pinturas e murais. Gosto de trabalhar com cores quentes e formas orgânicas, sempre trazendo algum contraste”, resume.

Para o museu, ela apostaria em um desenho simples e impactante ao mesmo tempo. “Faria algo que representasse algum sentimento que pudesse despertar algo de bom em  alguém”.

6. Cris Pagnoncelli

Mural “vi(ver) a lou(cura)” ao lado de outros artistas de Curitiba (Rimon, Marciel Conrado, Pac e Fred Freire). Foto: arquivo pessoal

Cris Pagnoncelli mora no Água Verde, tem 36 anos e trabalha com muralismo desde 2013. “Sou designer e artista visual e acredito muito na força das imagens e palavras que escolhemos colocar no mundo. Meu trabalho tem como protagonistas o desenho de letras e a brincadeira com palavras, muitas vezes flertando com o ativismo, outras vezes de forma reflexiva e poética”, descreve.

Para o MON, ela levaria “algum trabalho que valorizasse a figura, voz e presença das mulheres – que em museus, ainda hoje, mais aparecem como ‘musas’ do que como artistas e criadoras”.

7. Luci Gnoatto

Mural da ONG Instituto Incanto, no bairro Santa Quitéria. Fotos: arquivo pessoal

Luci Gnoatto tem 31 anos e vive na Cidade Industrial de Curitiba (CIC). Formada em Bacharelado em Design pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná, também estudou na escola alemã de arte e design Hochschule für Gestaltung Offenbach. 

“Com meu trabalho, expresso emoções, crio experiências visuais e conto histórias com pinturas, desenhos e murais há cinco anos”, fala. “Ao ocupar, com minha arte, um espaço institucional como o MON, iria homenagear mulheres que fizeram história na vida e na arte”.

8. Jorge Torres Galvão (JTG)

Homenagem a Basquiat no Quiat Gastronomia. Foto: arquivo pessoal

Jorge Torres Galvão (JTG) tem 36 anos e pinta desde 1998. Ele é morador do Ahú. “Meu trabalho tem um estilo mais sujo e livre do que o normal, faço desenhos coloridos e carregados com uma força gráfica que fazem as pessoas pensar. São uma válvula de escape para mim. Nem sempre agrado e já tive meu trabalho apagado várias vezes, mas faço por amor e com muita vontade”.

Se fosse convidado pra grafitar o MON, ele seria crítico: “Iria fazer uma pichação enorme com extintor com alguma frase criticando a sociedade curitibana”.

9. Mariê Balbinot

Foto: arquivo pessoal

Mariê Balbinot mora nas Mercês e grafita há quase 11 anos. “Movida pela transformação social por meio da arte, tenho como principal temática personagens femininas com olhares fortes, que transmitem confiança e autoestima para outras mulheres e que contribuem para um mundo sem distinção de gênero, credo, classe e raça”, pontua.

“Minhas criações são uma harmonia entre minha própria intuição e causas que defendo, como LGBTQIA+, igualdade de gênero, luta antirrascista e veganismo. O que eu faria se tivesse um espaço no MON? Levaria minhas personagens de forma bem impactante e em grande escala pra lá”.

10. Café

Mural na Av. Visconde de Guarapuava. Foto: arquivo pessoal

Café tem 37 anos e também vive no Sítio Cercado. “Meus primeiros traços na rua foram em 1998, pinto há 23 anos”, relembra. “Meu trabalho tem como característica a utilização de linhas para compor meus personagens. São figuras de pessoas negras, conhecidas ou anônimas, que carregam consigo muita beleza e sentimento. Minha intenção é provocar uma pausa na vida das pessoas para apreciarem mais e se permitirem ser tocadas pelas artes que estão na rua”.

No museu, ele diz que “representaria figuras e personagens negros que foram e são importantes para a cidade de Curitiba e para o Brasil, nomes que têm sido invisibilizados, silenciados, desconhecidos e embranquecidos ao longo dos anos”.

Bônus!

A gente sabe que esta lista não passa nem perto de esgotar todos os nomes possíveis. Quando dizemos que existem muitos artistas talentosos na cidade, não é eufemismo. Abaixo, você confere outras 12 indicações de perfis que valem a pena seguir. Clique em cada um dos nomes para dar uma olhada nos murais, combinado?

  1. Marciel Conrado
  2. Gustavo Santos da Silva
  3. Felipe Felas
  4. Bruno Romã
  5. Robolito
  6. Thiago Galileo
  7. Celestino Dimas
  8. Pac Calory
  9. Artestenciva 
  10. Muchas Minas
  11. Fred Freire
  12. Ysto

Não encontrou o artista que você gosta? Sinta-se à vontade para mencionar o seu favorito nos comentários. Uma seleção verdadeiramente democrática se constrói a várias mãos. 😉

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31 comentários sobre “10 artistas locais que estão prontos para deixar sua marca na fachada do MON

  1. Adriano Bohra (Japen), Benett, Claudia de Lara, Dell Ribeiro (Dstak), Estudio CUCO, Felipe Kota, Gustavo Malucelli, Gustavo Santos Silva (Gustas), João Marcos (Utopia), Leandro Cinico, Marco Teixeira, Mauricio Vieira, Ricardo da Maia, Ricardo Humberto, Ricardo Arroz, Vanessa Murio e por aí vai 😉

  2. De acordo com a direção do MON frente ao protesto do bisneto do Niemayer, essa intervenção na fachada é temporária. Só uma chamada para a exposição que ocorrerá em setembro. Melhor. Já que a polêmica está instalada, até porque, se fosse permanente, seria uma injustiça com os artistas locais.

  3. Faltou “só” o pai de todos. Cimples. E na hierarquia aí o Dimas fez os maiores murais e está de bônus. Achei tendencioso a disposição de nomes aí. Mas parabéns pela iniciativa.

  4. Faltou o André Coelho pelas sua formas de linhas orgânicas, com sua volumosas formas nas arquiteturas externas e no ambientes arquitetônicos internos , o qual também, já participou de vários eventos culturais da nossa cidade. Entrem lá no Instagram dele: @coelhoazul

  5. Sou ferge graffiteiro e muralista com 10 mil graffitis pela cidade e região metropolitana faço graffiti a 21 anos da uma conferida no meus murais no Instagram ferge.graffiti

  6. Eu tenho só uma observação. Gosto muito do trabalho do Rimon, mas acho que ele já está ficando over na cidade. Virou um Poty Lazzaroto pós moderno do grafite. O Paraná é muito grande, penso que ele deveria explorar novas telas urbanas ou reavaliar a forma e conteúdo do seu trabalho. Pronto falei.

  7. Penso que a polêmica da fachada serviu para provocar a discussão nas redes, porém não é um bom parâmetro. Os Gêmeos tem um trabalho e uma relevância muito grande, abriram caminho para outras gerações, e ainda assim pintaram a fachada do museu somente em razão da exposição. Dos outros artistas prefiro ver mais murais espalhados pela cidade, com mais editais e aportes financeiros, bem distribuídos, para garantir condição de trabalho mais digna. Junto a isso, mais debates, encontros e oficinas para descentralizar . Minha contribuição para lista: Valdecimples, Silvio Dose e Thiago Syen, esses tem caminhada e consistência no trampo. Uma pauta bacana seria falar sobre o valor da multa aplicada a quem é pego no graffiti desautorizado. Obrigado Plural!

  8. Não tem que usar a obra arquitetônica do Niemayer como suporte.
    Há tantos MUROS TRISTES por aí, gente, o plural deveria estar discutindo que não se deve interferir.
    Seria como querer interferir na Mona Lisa…

  9. Preciso contratar um grafiteiro para fazer desenhos da Argentina em uma lanchonete do Batel.Você poderia me dizer os telefones para que eu ligasse. Obrigado

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