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Meninos vestem azul, meninas vestem rosa: esta é a verdadeira “ideologia de gênero”

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A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, pastora Damares Alves, deu em três dias de governo duas declarações muito semelhante e que mostram que ela pretende implantar a verdadeira “ideologia de gênero” no país.

Em seu discurso de posse, Damares disse que “acabou a doutrinação ideológica de crianças e adolescentes no Brasil”. “Neste governo, menina será princesa e menino será príncipe. Está dado o recado. Ninguém vai nos impedir de chamar nossas meninas de princesas e nossos meninos de príncipes”, acrescentou.

Nesta quinta-feira, reforçou a ideia num vídeo que corre a Internet. Disse que o país vive uma nova era, em que “meninos vestem azul e meninas vestem rosa”. Extasiada, fez a plateia repetir seu mantra ideológico.

Damares disse nesta semana que o Estado é laico mas que “essa ministra é terrivelmente cristã”. Não há nos Evangelhos qualquer menção a cores diferentes de roupas que devam ser usadas por meninos e meninas. Mas a ministra está decidida a tomar a separação entre os sexos – e a escolha sobre o que cada um pode fazer – como base de sua gestão num Estado laico.

A ministra só chegou ao posto porque setores conservadores da sociedade conseguiram criar alguns bichos papões que assustaram a população. Um deles é a tal “ideologia de gênero”, uma bufonaria sem respaldo acadêmico segundo a qual os professores e professoras do país seriam majoritariamente pessoas amalucadas que querem convencer os alunos desde a mais tenra idade a serem gays, ou algo assim.

Por mais que a teoria da conspiração seja inacreditável, pegou. Logo estávamos todos vendo vídeos com mamadeiras eróticas supostamente distribuídas em creches. Em Curitiba, vereadores fizeram um escarcéu para impedir um “dia da diversidade” numa escola, achando que iam transformar os alunos em homossexuais – quando se tratava de uma atividade da Turma da Mônica.

Há uma obsessão por sexo, sexualidade e por papéis de homens e mulheres na sociedade. Jair Bolsonaro (PSL) e seus ministros capturaram isso. Usaram o bicho-papão para convencer as pessoas de que ou voltamos a uma ordem anterior (“o Brasil de 40 anos atrás defendido pelo presidente”) ou estará instalado o caos.

Para isso, é preciso confinar as meninas às atividades a que o machismo sempre as confinou. Que usem rosa, brinquem de casinha e sejam “princesas”. Aos meninos cabe o resto – que não sejam efeminados e governem o mundo (é instrutivo que fora Damares só haja mais uma mulher entre os 22 membros do primeiro escalão de Bolsonaro).

Mulheres, diz o novo governo, têm de seguir o estereótipo que se espera dela. Que se submetam a isso, ou estarão coadunando com alguma modalidade terrível de autodestruição da sociedade.

Ideologia de gênero é isso. É estabelecer limites para as pessoas com base em seu sexo. Desmistificar isso é papel da ciência, da escola e de todos nós. Antes que mantenhamos mais uma geração presa à opressão de uma fantasia obsessiva compulsiva presidencial.


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