6 dez 2021 - 18h21

Tela que simboliza ligação entre Alemanha e Paraná é totalmente restaurada

Obra sobre migração alemã, de Arthur Nisio, foi restaurada pelo Goethe Institut

A ligação entre a arte paranaense e a grande tradição alemã tem alguns elos importantes. Um deles é o pintor Arthur Nisio, que viveu por 18 anos na Alemanha e trabalhou lá, obtendo reconhecimento e conseguindo visibilidade para suas telas. Algumas obras de Nisio se tornaram importantes para a história local ao mostrar essa aproximação entre dois povos, e uma delas acaba de ser completamente restaurada.

O quadro “Os Imigrantes” está nas mãos do Goethe Institut de Curitiba desde sua fundação, em 1972, Antes, na verdade, já era parte do patrimônio da então Sociedade dos Amigos da Cultura Germânica em Curitiba. Com a fundação do Instituto Cultural Brasileiro-Germânico em 1956, a Sociedade foi dissolvida e seu patrimônio foi passado para o instituto, que deu origem ao Goethe.

A tela mostra um grupo de imigrantes alemães no Paraná, retratando uma realidade típica do estado nos últimos anos do século dezenove e primeiras décadas do século 20, quando levas de imigrantes da Europa Ocidental chegavam para trabalhar a terra e tentar a vida na América.

Na declaração de transmissão de patrimônio, a obra consta como ‘1 grosses Gemaelde “Die erste deutsche Einwanderung in Paraná”, von Artur Nisio’ (Uma grande pintura “A primeira migração alemã no Paraná” por Artur Nisio).

Nisio, que nasceu em Curitiba em 1906. Depois de estudar com Lange de Morretes e de ter uma passagem pelo ateliê de João Turim, migrou para a Alemanha em 1928. Lá, conviveu com pintores importantes e desenvolveu sua técnica. Acabou tendo de sair do país em funçãoi da Segunda Guerra – foi parar na França, onde trabalhou no campo – mais tarde voltaria ao Brasil.

O trabalho de Nisio, que tem lugar de destaque na sede do Goethe, passou por uma restauração completa. Com o passar das décadas, a tela começou a apresentar pequenas rachaduras e passou por um amarelamento do verniz que são típicos dos quadros a óleo.

Detalhe da assinatura do artista

O ateliê responsável pela restauração foi o Arte & Restauro, de Suely Deschermayer, que já havia feito a restauração da imensa tela “Chegada de Zacarias de Góes e Vasconcelos ao Paraná”, que fica no Palácio Iguaçu. Suely explica que é comum que as telas precisem de um trabalho de restauro depois de algumas décadas.

“Normalmente o primeiro passo é a conservação preventiva, que exige manter a tela num espaço com temperatura e umidade adequados. Existe uma tabela para cada tipo de material”, diz ela. No entanto, quando a degradação do material chega a um certo ponto, é preciso intervir de outras maneiras.

Suely explica que o restauro quase não usa “tinta nova”. Em geral, trata-se de substituir o material de suporte, retirar o verniz oxidado, cuidar das pequenas fissuras abertas pelo ressecamento. “Às vezes o que fazemos, e que foi necessário nesse caso, são micropontos de tinta num local em que o craquelê expulsou o pigmento. Usa-se um pincel finíssimo e só para colocar um ponto minúsculo entre dois outros pontos que permaneceram na tela”, diz.

A restauradora conta ainda que a pouca tinta usada é de um material diferente daquela aplicada pelo artista. “No caso de telas a óleo, por exemplo, usa-se aquarela, que é muito mais fácil de remover mais tarde, caso alguém queira retirar o material da restauração”, explica.

Agora, renovada, a obra voltou à parede do Goethe para marcar a aproximação entre as duas culturas, do Paraná e da Alemanha, pronta para exibir por muitas décadas ainda o trabalho de Arthur Nisio.

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