O que vem pela frente sem Merkel? - Jornal Plural
2 out 2021 - 22h28

O que vem pela frente sem Merkel?

Depois de 16 anos, chanceler alemã será substituída pela centro-esquerda. MAs mudanças radicais parecem improváveis

É sempre difícil imaginar como a história vai ser escrita, mas olhando a partir de 2021 parece que os futuros cronistas de nossa época vão ter de reservar um bom espaço para Angela Merkel. A chanceler alemã, que na semana passada começou o seu adeus da política, governou o país por quatro mandatos, num total de 16 anos. A gestão dela responde por metade da era pós-reunificação da Alemanha. Mas o longo período de permanência no poder foi apenas uma de suas conquistas.

Desde 2005, Merkel conseguiu manter a Alemanha num caminho de diálogo e conciliação que vai na contramão do que muitas outras nações europeias e americanas vivem hoje. Enquanto no mundo prosperavam líderes histriônicos como o americano Donald Trump e autoritários como o turco Recep Erdogan, na Alemanha reinou uma paz invejável.

Por isso, a decisão de Merkel de não concorrer a um quinto mandato foi motivo de certa apreensão: como fica a Alemanha sem sua líder pacificadora? “Podemos esperar desafios, normal após um longo período de protagonismo. Adversários políticos, tanto internos quanto externos, vão tentar “testar a água” do eventual novo governo, ver o quanto ele resiste à provocações, pequenas crises e o quão coesa será uma nova coalizão de governo”, diz Felipe Figueiredo, do podcast Xadrez Verbal, especializado em política internacional.

“Importante notar, entretanto, que, ao contrário de países como Itália e Espanha, onde as coalizões parlamentares duram pouquíssimo, a última vez que um governo alemão durou menos de quatro anos foi na década de 1960. Ou seja, quem for o novo líder de governo alemão provavelmente terá certo tempo, e paciência, para se estabelecer”, afirma ele.

No entanto, os resultados das eleições nacionais mostram que os partidos de centro-esquerda e centro-direita deixaram os extremistas comendo poeira. Nam a ultradireitista AfP nem o partido mais radical à esquerda, o Die Linke, conseguiram resultados muito expressivos. A expectativa é que o SPD, de centro-esquerda, consiga formar um governo de coalizão com os Verdes, mas as negociações ainda podem demorar.

Para a professora de Relações Internacionais Luciana Worms, a tendência é que a Alemanha siga um caminho parecido com o que vinha sendo trilhado sob Merkel. “Vejo algumas pessoas da esquerda entusiasmadas com a vitória do SPD. Mas o partido já foi governo, e não fez nenhuma reforma radical, pelo contrário”, diz ela. Ou seja, depois de um longo período de autoritarismos e ideologias extremas até o fim da Guerra Fria, os alemães agora parecem fadados a seguir por um longo tempo no rumo do centro.

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Um comentário sobre “O que vem pela frente sem Merkel?

  1. Olaf Scholz (SPD) é um dos maiores corruptos da Alemanha; ajudou o banco Warburg a roubar centenas de milhões de euros dos cofres públicos quando era prefeito de Hamburgo. Depois quando foi pego tentou mentir ao comitê financeiro do Bundestag e, quando já não podia mais negar, disse que NÃO SE LEMBRAVA do que havia sido discutido nas reuniões que teve com representantes do banco (kkkkk). A grande mídia da Alemanha agora tenta enterrar essas histórias porque eles apoiam o Scholz, mas perguntem a qualquer alemão sobre o escândalo do “Cum Ex”, eles vão lembrar.

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