24 fev 2022 - 11h27

Expressionismo: o cinema que apavorou a Alemanha e fascinou o mundo

Após a derrota na Grande Guerra, a Alemanha se viu sem dinheiro e cheia de traumas. O cinema da época encontrou formas assombrosas de mostrar tudo isso

Basta dar uma batida de olhos na imagem de abertura desta matéria e você vai reparar que tudo parece muito estranho. A maquiagem dos atores é extremamente exagerada. A iluminação em preto e branco é super dramática. Os ângulos das paredes são tortos.

Pra muita gente hoje, no século 21, isso pode parecer a linguagem das histórias em quadrinhos. Mas quando esse filme foi feito, mais de cem anos atrás, tudo isso era muito novo – e um pouco assustador. O “Gabinete do Doutor Caligari”, com toda essa estranheza, acabou se tornando o maior marco do Expressionismo alemão, um movimento que marcou o cinema europeu dos anos 1920.

Para entender esse filme e todo o estilo do Expressionismo, a gente tem que falar um pouco de história. A Alemanha estava num período conturbado e de muita dificuldade econômica. O país saiu derrotado da Primeira Guerra Mundial e sofria com retaliações econômicas pesadas impostas pelos vencedores.

Além disso, o país enfrentava uma grande amargura. Muita gente acreditava que divisões internas tinham levado à derrota na guerra. E o fato de que o país enfrentou uma revolução socialista logo em seguida também não ajudou.

A inflação era outro problema grave. Com o marco desvalorizado, a Alemanha chegou a proibir a importação de filmes, porque isso custaria muito caro ao país.

Com tudo isso, o país passou a produzir um cinema diferente. Por um lado, tudo precisava ser muito barato, com cenários pintados na parede, por exemplo. E por outro lado, as histórias representavam o ambiente macabro da época.

As histórias falavam de loucura, assassinatos, horror, medo.

Um outro clássico do Expressionismo alemão da época que mostra isso bem é “Nosferatu”, baseado no romance Drácula. Dirigido por Murnau, um dos grandes nomes do cinema alemão, o filme conta uma história em que um monstro sobrenatural coloca em risco uma jovem inocente. As imagens noturnas, fortes, apavoravam os alemães e retratavam o ambiente de insegurança.

Murnau se tornou um dos grandes diretores do Expressionismo, ao lado de Fritz Lang. Autor de clássicos como “A morte cansada”, Lang criou outro tipo de história assustadora com seu “Metrópolis”, um filme que criava uma distopia futurista.

Outro grande filme que passou para a história como um exemplo do Expressionismo, numa fase um pouco posterior, foi “M, o vampiro de Dusseldorf”. Peter Lorre faz o papel de um criminoso que ataca crianças, mais uma vez mostrando o clima de medo que tomava conta do país.

Já na fase sonora do cinema, M também fez história ao usar o som como parte importante da trama. A melodia assobiada pelo criminoso acaba sendo crucial para a trama.

O Expressionismo sofreu várias baixas com a chegada do nazismo ao poder. Lang e Murnau acabaram indo para os Estados Unidos e trabalhando para Hollywood, e nos anos 30 o cinema alemão teria outra guinada, deixando de lado o cinema de denúncia e passando a fazer obras que tentavam exaltar a raça alemã.

Este texto e o vídeo fazem parte das comemoraçõea dos 50 anos do Goethe-Institut em Curitiba.

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