18 jan 2022 - 19h25

A música que encanta os humanos e viaja pelo espaço

Há 300 anos a música alemã domina o cenário; vídeo mostra história desde Bach até o rap

Um rap em homenagem à cantora Madonna é a música mais tocada hoje na Alemanha. O clipe é cheio de referências à cultura pop dos anos 80, com direito até a uma versão alemã do lutador e ator Huck Holgan. E de certa forma, foi uma surpresa saber que o rap era assim tão popular por lá.

Geralmente, ao pensar em música alemã, o que vem à cabeça da maioria das pessoas é um grupo fantasiado com roupas supostamente bávaras e copos de chope na mão.

Mas parando pra pensar a música alemã vai muito além da folclórica. Existem vários sucessos que ajudaram a moldar a cultura pop mundial dos anos 80, algumas que a gente nem mesmo associa à Alemanha.

É um cenário em que os diferentes estilos se misturam, como o que acontece no Brasil. E hoje quem domina a cena por lá é o Rap. Movimentando um mercado multimilionário, o estilo é usado até mesmo como método para o ensino da língua, por exemplo.

Mas seja qual for o estilo ou a época, as raízes da música alemã são firmes – e vão longe. A sonda Voyager foi enviada ao espaço para coletar dados sobre Júpiter e Saturno e mandar pra Terra, junto com outras informações sobre o sistema solar, para no fim vagar eternamente pelo espaço, depois que a comunicação com a gente fosse perdida para sempre.

E a Voyager carrega um disco de ouro.

Nesse disco estão informações pro caso de algum dia um extraterrestre encontrar nossa sonda e quiser saber quem a construiu. Nele estão dados sobre a Terra, como a localizar no universo e informações sobre nós.

E como um brinde ao universo, enviamos o melhor que o ser humano já produziu, como gravações de músicas aqui da Terra, como a Ária das Variações Goldberg.

Olha que curioso: originalmente, o Bach compôs essa música sob encomenda, 280 anos atrás, achando que só uma pessoa ia escutar – seu cliente, um conde enfermo que queria algo para que seu cravista particular tocasse em suas noites de insônia.

Na época de Bach encomendas assim não eram estranhas. Os músicos em geral trabalhavam como funcionários ou de igrejas ou de cortes. Ele mesmo compôs centenas de cantatas para ser tocadas nos cultos de domingo ou em festas especiais.

Outras obras dele, como os Concertos de Brandemburgo, eram escritas para nobres que queriam uma diversão extra em seus palácios.  

Bach, que nasceu em 1685, representou o auge do barroco alemão. Sua técnica de contraponto e fuga nunca foi igualada.

Mas em pouco tempo a música de Bach seria vista como ultrapassada. Seus filhos seguiriam a tendência de uma música mais simples, de acordo com o gosto dos novos ricos que tomaram o poder na Europa com a revolução. Uma música que chegaria a seu auge com dois grandes austríacos: Mozart e Haydn.

Os músicos desse período ainda estavam ligados às cortes europeias. Mas começavam a apresentar suas obras também em teatros –gêneros como a ópera, o concerto e o quarteto de cordas passam a atrair multidões, e a música profana ganha cada vez mais espaço.

A igreja já não era o principal local para ouvir o que os grandes compositores vinham fazendo.

O grande herdeiro dessa tradição seria Beethoven. E isso levaria a música europeia a uma nova etapa. Fascinado pelo momento que a Europa vivia depois da Revolução Francesa, Beethoven dedicou sua primeira grande sinfonia romântica, a Eroica, a Napoleão Bonaparte.                                                                                             

Sua música também era revolucionária. Cheia de paixões, de inovações e com orquestras cada vez maiores que lotavam teatros imensos. O som pequeno do cravo já tinha sido substituído pela imponência do piano, o que possibilitou a majestade grandiosa do Romantismo.

A forma também já era outra. Se as primeiras sinfonias de Mozart duravam cerca de 10 minutos, a última sinfonia de Beethoven passa de uma hora. E num golpe de gênio, em sua última grande obra orquestral, ele misturou pela primeira vez a voz humana à orquestra numa sinfonia homenageando a Alegria. 

Beethoven morreu em 1827, idolatrado por uma geração de jovens músicos. Àquela altura, menos de oitenta anos depois da morte de Bach, a Alemanha já tinha se firmado como o lugar em que a música nasceu.

Talvez por isso, até hoje lá eles valorizam seu passado, o distante e o não tão distante. E Bach segue vagando pelo Universo e inspirando as pessoas. E mesmo quando o planeta acabar, vai continuar viajando em meio às estrelas.

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