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A perseguição da ditadura ao jornal Nosso Tempo, de Foz do Iguaçu (Parte 3)

Devido a importância do tema, e para o melhor conhecimento das perseguições sofridas pela imprensa livre durante a ditadura civil-militar, vamos dividir a publicação dos documentos da repressão sobre o semanário Nosso Tempo, de Foz do Iguaçu, em três partes. Nessa parte estão expostos os informes e boletins produzidos pela Divisão de Foz do Iguaçu da Polícia Federal, pelo Centro de Informações do Exército, pelo Serviço Nacional de Informações e  pela Assessoria de Segurança e Informações da Itaipu Binacional.

Documentos

Assunto: Infiltração comunista nos órgãos de comunicação. Data: 09.08.1983 Origem: Serviço Nacional de Informações – SNI  Informe: 0478/16/ACT/83 Referência: PB n 059/16/AC/83 Difusão: AC/SNI

Assunto: Pregação da Luta Armada Data: 09.07.84 Origem: Ministério do Exército Segunda Seção Comando  5 RM  Informe  411-E2/84 Difusão ACT/SNI Referência PB 071/16/ACT/84, de 14 de Mai 84

Assunto: Juvêncio Mazzarollo inicia nova greve de fome Data: 29Mar 84  Origem: Serviço Nacinal de Informações  ACT/SNI

Assunto: Câmara Municipal de Vereadores. 21.12.81 Origem: 15 INF MTZ Minist do Exército  Comando da 5 RM 2 Seção  Informação 838 – E2/81

Assunto: Manifestações em solidariedade ao preso político Juvêncio Mazzarollo. Origem Serviço Nacional de Informações. 29ABR 84  Enca 0038/16/ACT/83 – ACE 4352/83

Assunto: Juvêncio Mazzarollo e outros. Jornal Nosso Tempo Foz do Iguaçu INFES 0304 0387/116/ACT/81, de 09 SET e 27/OUT

  (continuação)

Diretas já

Ainda no ano de 1984, mais precisamente no primeiro semestre, começaram a surgir as grandes manifestações no país pedindo eleições diretas para presidente da República. Era o início da campanha das Diretas Já. Em Foz do Iguaçu, essa campanha batia em dois objetivos: eleição direta para prefeito e eleição direta para presidente da República.

No dia 1º de abril foi realizado um grande comício na terceira pista da Avenida JK, em Foz do Iguaçu, quando três mil pessoas se reuniram debaixo de chuva para ouvir as lideranças do PMDB, PDT e PT.

A Emenda Dante de Oliveira em prol de eleição direta para presidente não foi aprovada pelo Congresso em abril de 1984, e com isso as atenções e lutas se voltaram para as eleições diretas nos municípios de área de segurança nacional. Os partidários da autonomia municipal na faixa de fronteira começaram a se organizar novamente, quando houve a definição de que o mineiro Tancredo Neves disputaria a Presidência da República, pela oposição, contra Paulo Maluf na eleição indireta em que os membros de um colégio eleitoral escolheriam o presidente.

Tancredo é eleito pelo pelos deputados e senadores, morre antes de tomar posse, e em seu lugar assume o vice-presidente José Sarney, que sanciona, em 15 de maio de 1985, emenda constitucional restabelecendo as eleições diretas nas capitais dos estados, estâncias hidrominerais e municípios das áreas de segurança nacional. E depois de 20 anos, a população de Foz do Iguaçu e demais municípios de segurança nacional poderiam preparar suas eleições com o exercício sagrado do sufrágio universal.

O jornal Nosso Tempo, além de assumir nos conflitos sociais a defesa dos que não tinham voz, foi categórico na luta pela redemocratização do país.

O fechamento

Com a promulgação da Constituição de 1988 e o retorno à normalidade democrática, o jornal, aos poucos, torna-se um veículo comercial, mantendo a linha editorial definida em sua fundação, mas publicando releases dos governos municipal e estadual. Esses comprometimentos não agradaram aos milhares de leitores, e a tiragem foi minguando. Em 1992, Nosso Tempo, que já não contava com João Adelino de Souza, foi vendido pelos sócios restantes, Aluízio e Juvêncio, para Adão Luiz Almeida, que o manteve até 1994, quando o fechou.

Texto extraído do site

http://www.nossotempodigital.com.br

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