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PESQUISA MOSTRA QUE MORTE DO EDUCADOR ANISIO TEIXEIRA NÃO FOI ACIDENTAL

Como aconteceu com outros brasileiros durante a ditadura, Anísio Teixeira desapareceu de repente. No final da manhã da quinta-feira 11 de março de 1971, ele saiu da Fundação Getúlio Vargas (FGV), na Praia do Botafogo, no Rio, para almoçar nas imediações, no Edifício Duque de Caxias, onde morava o dicionarista Aurélio Buarque de Holanda.

Reitor da Universidade de Brasília (UNB) afastado pelo golpe de 1964, o educador estava em campanha para a Academia Brasileira de Letras. O processo envolvia pedir votos aos imortais, como a seu amigo Aurélio. Ocorre que Anísio jamais chegou para o almoço. Mais tarde, também não chegou à Editora Civilização Brasileira, onde atuava como consultor.

Durante as buscas, a família e os amigos depararam-se com uma notícia preocupante: Anísio estava detido em dependências da Aeronáutica. A informação chegara, de forma separada, a dois amigos do educador: o escritor e ex-governador da Bahia Luiz Viana Filho e o poeta mineiro Abgar Renault. A fonte: o general Syzeno Sarmento, citado por Renault.

Na época, o comandante da Aeronáutica no Rio era o brigadeiro João Paulo Moreira Burnier, aquele que em 1968 tinha planejado explodir o gasômetro na hora do rush e culpar “os comunistas” pela mortandade. Menos de dois meses antes do sumiço de Anísio, o ex-deputado Rubens Paiva havia sido levado para a Aeronáutica e entrado para o rol de desaparecidos políticos.

Como Rubens Paiva, Anísio incomodava a ditadura. Nascido em julho de 1900 em Caetité, no alto sertão baiano, e formado em Direito no Rio, desde os 27 anos ele se dedicava à defesa de uma educação pública, laica e universal no Brasil. Junto com o antropólogo Darcy Ribeiro, tinha ajudado a criar a UNB, assumindo a reitoria em junho de 1963.

Afastado depois do golpe de 1964, Anísio lecionou na Universidade de Columbia, em Nova York, onde estudara no final da década de 1920. Também atuou como professor visitante nas universidades de Nova York e da Califórnia. De volta ao Brasil, desapareceu quando colaborava com um projeto da FGV de criar um Instituto de Estudos Avançados em Educação.

Dois dias depois do desaparecimento, o corpo de Anísio foi encontrado no poço do elevador do edifício onde deveria ter comparecido para o almoço. A suspeita é que ele tenha sido levado para o local, depois de sequestrado a caminho do edifício e morrido na tortura. Desde o primeiro momento, no entanto, a polícia tratou a morte como “acidente”.

Uma das evidências contrárias à versão de acidente é que o corpo não poderia ter caído do alto, pois não passaria entre duas vigas separadas entre si por cerca de 20 centímetros. Entre os que estudaram e contestaram o caso está o professor João Augusto de Lima Rocha, da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia, autor do livro “Anísio em Movimento”.

http://www.paginab.com.br/coisas-…/ditadura-morte-do-reitor…

https://www.youtube.com/watch?v=ZxtSiDObwUE&authuser=0

Recebi do amigo João Rocha este vídeo produzido pela TV Latinha, de Guanambi, sobre a palestra que ele  proferiu na Casa Anísio Teixeira, em Caetité, dia 04/9/2017. No vídeo João Rocha apresenta, de forma resumida,  o resultado de uma pesquisa realizada durante 28  anos.

Com base em fotos e  no laudo do IML do Rio, encontrados pela Comissão Nacional da Verdade, e repassados à família do educador, conclui-se que o corpo de Anísio foi levado para o Edifício Duque de Caxias, onde morava Aurélio Buarque de Holanda, e colocado no fundo do fosso, para simular a queda que não houve.

Considerado o principal idealizador das grandes mudanças que marcaram a educação brasileira no século 20, Anísio Teixeira (1900-1971) foi pioneiro na implantação de escolas públicas de todos os níveis, que refletiam seu objetivo de oferecer educação gratuita para todos. Como teórico da educação, Anísio não se preocupava em defender apenas suas idéias. Muitas delas eram inspiradas na filosofia de John Dewey (1852-1952), de quem foi aluno ao fazer um curso de pós-graduação nos Estados Unidos.

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