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Novas revelações sobre o assassinato de Vladimir Herzog

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Ditadura manipulou foto da grade onde Herzog foi pendurado


Uma nova fotografia do corpo de Vladimir Herzog, assassinado em 25 de outubro de 1975 nas dependências do DOI/CODI, obtida com exclusividade pelo “Lei dos Homens”, amplia as possibilidades de reabertura judicial do caso e seu exame pela Comissão da Verdade, cuja instalação aguarda a indicação dos membros, pela Presidente Dilma Rousseff

 A cinta passada em torno do pescoço estava amarrada em uma barra de ferro a 1,63m de altura, o que impedia a suspensão em vão livre do corpo de Vladimir Herzog, cujas pernas se dobravam no chão.

Em “A Ditadura Encurralada”, pág. 177, Elio Gaspari resume a indignação nacional: “Herzog não precisava ter amarrado a tira de pano na grade inferior. Na cela especial nº 1 havia uma cadeira. Poderia ter subido nela e feito o nó na barra superior, projetando-se em vão livre.” É o que comprova a imagem, agora revelada.

O CASO 7338 – 75

A fotografia que exibe as barras superiores da janela está entregue às traças, arquivada nos autos do caso 7338 – 75, em um depósito terceirizado pelo estado de São Paulo, na cidade de Cotia (SP). Foi xerografada e distribuída em panfletos aos serviços de informações e comandos militares, com o comunicado da conclusão do Inquérito Policial Militar, assim relatada:

“No dia 25 de outubro, no xadrez especial nº 1 do Destacamento de Operações e Informações (DOI) do Centro de Operações de Defesa Interna (CODI) do II Exército, foi encontrado morto o jornalista Vladimir Herzog. Segundo as conclusões do IPM mandado instalar, Herzog enforcou-se depois de confessar-se comunista”.

Decorridos quase três meses do assassinato de Herzog, uma dessas cópias foi remetida ao general Newton Cruz, chefe da Agência Central do Serviço Nacional de Informações, com xingamentos pessoais: sugeria sua morte e o chamava de “traidor e cachaceiro”. Ele reclama das divergências internas a seu superior no SNI, João Batista Figueiredo, com um bilhete onde atesta, entre outras informações, que a tal fotografia não fora distribuída aos jornais.

A Newton Cruz interessava exclusivamente a luta interna que travava. O uso da foto, de conhecimento exclusivo de uns poucos, é o ponto no qual apoia a convicção de que seus “detratores pertencem ao CIE ou à AC/SNI”, (Centro de Inteligência do Exército e Agência Central do Serviço Nacional de Informações, respectivamente).

É muito sintomático, então, que o chefe da Agência Central do SNI guardasse na memória a ocultação pública de tal fotografia, na qual se revela a existência de outras barras de ferro acima daquela em que o corpo foi pendurado. Ou seja, a foto ocultava, sim, um fato muito relevante.

A ocultação da barra ou das barras superiores àquela a que foi amarrado Herzog, na foto distribuída aos jornais, procura induzir à fantasiosa versão de suicídio, que se torna ainda mais inverossímil na foto xerocopiada no panfleto mandado por Newton Cruz a Figueiredo.

A rubrica colocada à direita da fotografia parecer ter um significado especial para os dois generais: para Newton Cruz, que pura e simplesmente a assinalou com uma seta, e para Figueiredo, que sobre ela não precisou de qualquer informação complementar para compreender o recado do colega. Sua autoria só poderá ser determinada com a comparação de outras rubricas nos arquivos militares da época.

Fonte: Site Lei dos Homens

 

 

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