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Documento da Aeronáutica revela caça à Dilma em 1970

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 Ministério da Aeronáutica

4ª Zona Aérea

Quartel General

Divisão de Segurança

Título – Elementos foragidos integrantes dos grupos Corrente e Colina

09ABRIL1970

Difusão: Unidade Aérea Paraeq MT

Difusão Anterior – II Ex – 6º DN –DPF /SP – DOPS

Encaminhamento Nº 96/SNI/ASP/ de 16/02/1970

         Encaminhamento Nº 85/QG-4

                    09ABRIL1970

http://pt.scribd.com/doc/96592140

 

No documento anexo, que na linguagem da repressão política da ditadura chama-se “Pedido de Busca” estão relacionados vários militantes da Corrente Revolucionária e do Colina. Dilma Rousseff é a terceira pessoa da lista.

Na época Dilma estava integrada nos Comandos de Libertação Nacional ( Colina) e era casada com   Cláudio Galeno de Magalhães Linhares, também militante da resistência à ditadura.

A atuação de Dilma era restrita aos contatos com sindicatos, aulas de marxismo e responsabilidade pelo jornal O Piquete.

No início de 1969, o COLINA em Minas Gerais resumia-se a algumas dezenas de militantes. Em 14 de janeiro, com a prisão de alguns militantes Dilma e Galeno passaram a dormir cada noite em um local diferente, já que o apartamento em que moravam era também freqüentado por um dos líderes da organização que fora preso. Permaneceram algumas semanas em Belo Horizonte, tentando reorganizar o que sobrara do grupo. Cientes de que as casas de seus pais eram vigiadas (a família não conhecia o grau de envolvimento de Dilma com essas atividades). Perseguidos na cidade, a organização ordenou que fossem para o Rio de Janeiro. Dilma tinha 21 anos e concluíra o segundo ano de Economia.

PCBR — Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (Ex- Corrente)

Em 1967, o grupo hegemônico no PCB consumou a expulsão de dirigentes da Corrente, grupo de contestadores da linha que vinha sendo adotada pelo partido. Entre eles, os futuros fundadores do PCBR, como Mário Alves (assassinado sob torturas, em janeiro de 1970, no Quartel do Exército, na rua Barão de Mesquita, no Rio de Janeiro), Apolônio de Carvalho, Jacob Gorender e Jover Telles. A proposta geral dos dissidentes consistia em repudiar alianças com setores da burguesia brasileira e estabelecer um governo popular revolucionário. Para tanto, o PCBR considerava estratégica a luta armada. A tática geral, entretanto, procurava um equilíbrio entre o militarismo e o pacifismo característico do PCB, o que provocou fortes tensões internas e a saída de militantes. A pressão desses setores e o acirramento da repressão obrigaram o PCBR a reforçar a execução de operações para a obtenção de fundos. Em junho de1970, alinha do partido foi reorientada para uma prática idêntica a dos grupos que constituíram a chamada “Frente Armada”, entrando na rotina de realizar ações apenas para angariar recursos. Em dezembro de 1972 e outubro de 1973, no Rio de Janeiro, membros do 3o Comitê Central foram chacinados pelos órgãos de repressão.

 COLINA – Comandos de Libertação Nacional

Praticamente restrito a Minas Gerais, o Colina resultou da cisão ocorrida no 4º Congresso da Polop, em 1967. Os dissidentes criticavam o doutrinarismo da linha oficial e propunham a defesa de bandeiras democráticas como a Constituinte. Em maio de 1968, foi realizada uma conferência que aprovou algumas definições de ordem programática e estratégica, como, por exemplo, a defesa da “Libertação Nacional” como conteúdo fundamental da revolução brasileira, em contraposição ao “Programa Socialista”. No plano estratégico, sua proposta continha nítidas influências guevaristas. A base de seus militantes era constituída de estudantes ou ex-militantes do movimento estudantil. No início de1969, aorganização enfrentou uma série de prisões, que acarretaria numa grave desarticulação de sua capacidade operacional e na orientação da maioria dos remanescentes para uma aproximação com a VPR, que resultaria na fundação da VAR-Palmares. Nessa série de prisões, o aparelho de repressão inaugurou a montagem de farsas que seriam repetidas muitas vezes nos anos seguintes, forjando suicídios de presos políticos para tentar encobrir seus assassinatos sob torturas. Militantes do Colina, o sargento da Aeronáutica João Lucas Alves foi morto em Belo Horizonte, em março de 1969, e o sargento da PM da Guanabara Severino Viana Callôr, no Rio de Janeiro, em maio.

 

 

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