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DITADURA MILITAR CONSIDEROU SUBVERSIVO O PLANO NACIONAL DE ALFABETIZAÇÃO DE ADULTOS

Em 1963, eu tinha 20 anos e fazia parte do grupo que implantou os Círculos de Cultura na Baixada Fluminense.

Os Círculos de Cultura eram as bases para um massivo plano de alfabetização de adultos, baseado na pedagogia do professor Paulo Freire.

Minhas atividades nos municípios da Baixada Fluminense começaram com  a pesquisa do universo vocabular dos moradores, de onde sairiam as palavras geradoras.

No comecinho de 1964, partimos para a instalação dos Círculos. Para tanto, fomos aos municipios em busca de cooperação das agremiações estudantis e profissionais, associações esportivas, sociedades de bairros, municipalidades, entidades religiosas, organizações governamentais, civis e militares, associações patronais, empresas privadas, órgãos de difusão, do magistério e de todos os setores mobilizáveis.

O programa pretendia instalar, em 1964, 60.870 círculos de cultura, a fim de alfabetizar 1.834.200 adultos, atendendo assim 8,9% da população analfabeta (da faixa de 15 a 45 anos), que em setembro de 1963 era de 20,442 milhões pessoas. Com o golpe militar, o PNA foi considerado um atividade subversiva e fomos indiciados num Inquérito Policial e Militar. Esse foi o meu primeiro processo na longa luta contra a ditadura. Luta que durou 21 anos.

Nos documentos anexados é possível ter uma ideia da visão dos militares  sobre o PNA.

 

 

 

 

 

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