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Foz do IguaçuParaguai

Prisão de sindicalista na Ponte da Amizade

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Em 1987, o Brasil passava pelo processo de redemocratização. Boa parte das leis de exceção herdadas da ditadura estavam sendo revistas, o povo nas ruas clamava por eleição direta para Presidente da República e uma nova Constituição que assegurasse a democracia e os direitos que estavam sendo conquistados no dia-a- dia da luta popular. Aqui, na fronteira algumas estruturas autoritárias ainda davam as cartas e no Paraguai a ditadura do general Alfredo Stroeesner continuava em sua sanha assassina.

Foi nesse clima que ocorreu a prisão do sindicalista Antônio Fernandes Neto, funcionário da Itaipu Binancional. Antônio vinha sendo controlado há algum tempo pelos serviços secretos da Itaipu e do Paraguai. No dia 15 de junho de 1987, ao cruzar a Ponte da Amizada, o sindicalista foi preso sob a acusação de ter em sua posse os livros “Escritos”, de León Trotsky  e “Nicarágua, Reforma ou Revolução”

Ofício 1737

16 junho 87

Origem: General Alberto Cantero (Diretor de Política e Afins)

Destinatário: Pastor Coronel (Chefe do Depto de Investigações)

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1 comment

  1. Antonio Fernandes Neto 21 dezembro, 2014 at 10:17 Responder

    Aluisio:
    Acabo de ler na integra o relatório da CNV. É emocionante. Participei e colaborei com o pessoal da oposição sindical metalurgica de SP que está terminando um belo trabalho denominado: Investigação Operária. Ao mesmo tempo trabalho na elaboração de um texto sobre a greve do porto de Santos, em 1980.
    A Dra. Rosa Torres me incentivou a uns 3 meses atrás a escrever sobre minha prisao no Paraguai. Porém não me pareceu algo relevante. Agora lendo os relatos da CNV estou me dando conta de que deveria tê-lo feito.
    De qualquer maneira, sigo a disposição para seguir pesquisando como a Operação Condor reprimiu os trabalhadores da zona de fronteira, em especial, em Itaipu. E a repressão a meu ver não foi só no campo politico. Foi também no campo trabalhista. Lembro-me bem que a Itaipu reconhecia, no ano de 86/87 que havia sido mortos + ou – 120 trabalhadores durante a obra. Nós do sindicato falávamos em 800. Aí pegou fogo no arquivo que estava creio que em um escritório fora da obra e depois no outro arquivo ao lado dos bombeiros. Isso, inclusive saiu na imprensa.
    Bom, acho que vale a pena seguir investigando. Vida a CNV!

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