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A RESISTENCIA DA DITADURA NO PARANA. O FOCO GUERRILHEIRO DO MR8

Depoimento para a História – A resistência à ditadura militar no Paraná

http://youtu.be/Ya84BWU6U98

 


Nome: Aluizio Ferreira PalmarProfissão: JornalistaIdade: 70 anos

Nascido em São Fidélis, Rio de Janeiro, no ano de 1943, ALUÍZIO FERREIRA PALMAR quando jovemestudou ciências sociais na Universidade Federal Fluminense. No processo de esfacelamento do PCB após o golpe, Aluízio, juntamente com outros jovens, formou a Dissidência do Rio de Janeiro (DI-RJ), mais tarde batizada de MR-8. Seguindo a orientação foquista (guevarista) dessa primeira organização chamada de MR-8, Palmar se deslocou para o oeste paranaense a fim de averiguar o terreno e instaurar o foco guerrilheiro. Após a definição de um local e meses de trabalho, inclusive com treinamento de guerrilha, Palmar caiu nas garras da repressão, após um acidente de trânsito.

Sobre a formação e atuação desse MR-8 no Paraná, Palmar recorda que por meio de Berto Curvo estabeleceu contatos comdissidentes do PCB paranaense, como o próprio Berto, Fábio Campana, Lauro Consentino e também um pessoal da POLOP, que “tentava puxar para o nosso lado” (Jurandir), e da AP, “companheira Teresa Urban, e o pessoal da Teresa”.

Na prisão, Palmar tentou o suicídio temendo não resistir às torturas e entregar seus companheiros. Antes que abrisse qualquer nome, um grupo de quatro membros do MR-8 foi deslocado do Rio de Janeiro para tentar libertar Aluízio da prisão, contudo todos acabaram presos. Com a presença de um infiltrado nas fileiras do MR-8, toda a organização caiu, inclusive no Paraná, e seus quadros foram levados para a Ilha das Flores. Lá são submetidos a novas torturas.

Respondendo a dois processos, um no Rio (marinha) e outro no Paraná (exército), constantemente Aluízio foi trazido ao estado, ficando no presídio provisório do Ahú. Passou por novas sevícias na DOPS, enquanto os agentes da repressão buscavam uma metralhadora vinda do Paraguai. Condenado, cumpriu parte da pena em Ilha Grande, juntamente com outros presos políticos. Lá organizaram uma rebelião por melhores condições. Antes do tempo previsto, Palmar deixou o cárcere como um dos libertados em troca do embaixador suíço, Giovanni Bucher, em janeiro de 1971.

Exilado no Chile, sem pertencer a nenhuma organização visto que o primeiro MR-8 acabou com as prisões efetuadas ainda em 1969, adentrou na VPR realizando novos treinamentos, agora na Cordilheira dos Andes. “Nossa única vontade era voltar para o Brasil e continuar a luta”. No exílio, além dos exercícios de guerrilha, Palmar participou da organização de uma estrutura para receber militantes que estavam no exterior, firmando parceria com guerrilheiros paraguaios e argentinos.

Aluízio ficou alocado, à revelia da própria organização, em uma fazenda na região fronteiriça do Brasil com a Argentina, disfarçado de camponês. O envolvimento em questões locais e a recepção de pessoas suspeitas o deixam inseguro e o obrigam a abandonar a estrutura e se afastar da organização. Pouco antes dessa decisão de abandonar a luta armada, Palmar havia se encontrado ao acaso com Onofre Pinto em Buenos Aires, e por pouco não embarcou na emboscada que culminou em sua morte e na de todos os membros de seu grupo, no episódio conhecido como Massacre de Medianeira.

Por alguns anos, em meados dos anos 1970, ficou vendendo soda no interior da Argentina sem um trabalho político, exceto colaborações esporádicas com a esquerda local. Com o recrudescimento da ditadura argentina, optou por retornar ao Brasil, reorganizando sua vida como jornalista. Em 1980, criou o semanário “Nosso Tempo”, de linha editorial crítica.

Tendo trocado as armas pela pena há muito tempo, Palmar se dedica até os dias de hoje a levantar informações e disponibilizar documentos referentes à ditadura militar. Esse trabalho de relevância incomensurável tem como frutos a criação e manutenção do site https://www.plural.jor.br/documentosrevelados/ e a publicação do livro “Onde foi que vocês enterraram nossos mortos?”.

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2 comments

  1. Ivanisa Teitelroit Martins 18 julho, 2014 at 21:17 Responder

    Camarada Aluizio Palmar: um histórico de lutas e de perseverança, de bravura e destemor, contado por quem não se rendeu. Entre aqueles que morreram e desapareceram, há os que sobreviveram e souberam sustentar a mesma integridade e consciência que os moveu e os forjou nos momentos mais decisivos da história do continente latino-americano. São esses depoimentos, divulgados com rigor, que revelam as memórias de anos sombrios em que a luta prevaleceu. São esses depoimentos de corpo presente que passam à história em nome dos mais nobres princípios por um futuro em que impere a verdade, a justiça social e a igualdade entre povos e nações.

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