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ARMA DA CRÍTICA, DOCUMENTO DE AUTOCRÍTICA DO MR8 (1970)

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Entre novembro de 1970 e janeiro de 1971, o Movimento Revolucionário Oito de
Outubro (MR-8) escreveu dois documentos intitulados, respectivamente: Arma da crítica
(1970) e Orientação para a prática (1971), acelerando, no interior dessa organização de
esquerda, um processo de autocrítica. Esses documentos contêm uma análise da conjuntura
nacional e internacional, da situação do trabalhador, da relação vanguarda/massas, incluindo a
experiência da guerrilha urbana em outros países, e apresentam novas posições a respeito da
resistência à ditadura militar. Essas redefinições estratégicas e táticas do MR-8, apresentadas
nesses documentos, revelam uma vontade de reaproximação com as massas e o proletariado.

O Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) tem origem em uma dissidência do
PCB, surgida no ambiente universitário de Niterói, no estado do Rio de Janeiro, a Dissidência
do Rio de Janeiro (DI-RJ), formada a partir de 1964 e desarticulada pela repressão a partir de
abril de 1969. A DI-GB – Dissidência da Guanabara – começou a atuar, como grupo
independente, já em 1966 e, em 1968, destacou-se nas manifestações estudantis sob a liderança
de Vladimir Palmeira. Em setembro de 1969, teria papel determinante no seqüestro do
embaixador norte-americano Charles Elbrick, realizado em uma ação conjunta com a ALN. O
objetivo inicial dessa ação era libertar Vladimir Palmeira, contudo a DI-GB, além de chamar a
atenção do mundo inteiro para a situação brasileira e fazer propaganda política, conseguiu a
libertação de 15 presos políticos (entre eles, Vladimir Palmeira). (GORENDER, 1990) .
O MR-8, na luta pelo socialismo, destacava que “[…] a contradição principal na
sociedade brasileira é a que opõe o proletariado à burguesia, compreende-se esta como
resultante de um processo de integração/dependência entre o imperialismo e a burguesia
local”. (REIS FILHO; SÁ, 1985, p. 344) Embora o MR-8 visse a necessidade de um partido
tradicional descrito por Lênin (1979), na prática, estruturava-se de forma semelhante aos
grupos armados que não propunham a necessidade imediata da formação do partido,
constituindo-se, essa organização, de setor de camadas médias, setor de operários e setor
armado, e os dirigentes de cada um deles compunham a direção máxima da organização.
(RIEDENTI, 1993)
Após a realização do seqüestro do embaixador norte-americano, a repressão
intensificou-se e o MR-8 foi duramente perseguido, o que resultou na prisão e morte de muitos
militantes. Em decorrência da desestruturação da segunda VPR, em 1971, um núcleo de
militantes dessa organização armada, dentre eles, seu mais importantes dirigente, Carlos Lamarca.

Memorias da ditadura militar na Bahia: homens e mulheres que ousaram lutar

Sandra Regina Barbosa da Silva Souzaarma da critica

 

http://www.scribd.com/doc/97344624/Arma-Da-Critica-MR-8-e-ALN-1970-11

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