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O livro Infância Roubada: crianças atingidas pela Ditadura no Brasil, elaborado pela Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva”,
 reúne relatos de crianças presas, torturadas e exiladas durante a ditadura no Brasil.
Resultado de audiências “Verdade e Infância Roubada” realizadas durante uma semana de maio de 2013, o livro contém histórias de mães e filhos de presos políticos, perseguidos e desaparecidos da ditadura.
Ernesto Nascimento foi torturado quando tinha por volta de dois anos de idade, e chegou a ser considerado, nesta época, um preso político pelo regime ditatorial promovido pelos militares. Tudo porque seu pai era integrante da VPR, a Vanguarda Popular Revolucionária, organização política de combate à ditadura, liderada pelo capitão Carlos Lamarca. Ernesto foi uma das quatro crianças trocadas com outros 40 presos políticos, como resgate do sequestro do embaixador alemão, Ehrenfried von Holleben, em 1970.
No livro, os filhos de combatentes da ditadura, hoje adultos na faixa dos 40 a 50 anos, contaram as suas lembranças da prisão, do exílio, do desamparo, de questionamentos em relação às suas identidades, assim como o medo, a insegurança, isolamento, solidão e vazio que vivenciaram e que, em muitos casos, são traumas não superados.
Algumas historias

Ñasaindy Barret de Araújo

Fruto de um relacionamento entre dois guerrilheiros que se encontraram durante o exílio em Cuba, a pedagoga Ñasaindy Barret de Araújo tinha menos de dois anos quando o pai voltou para a luta armada no Brasil. Era 1970. Meses depois, a mãe também retornou. Integrantes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), ambos foram mortos. Sozinha no Estado cubano, a garota ficou sob a tutela da também exilada Damaris Oliveira Lucena, recém-chegada ao país ao lado de seus três filhos. Na maioria das fotos da infância, Ñasaindy não esboça muitos sorrisos. “Meus seis primeiros anos de vida foram tristes. Todo mundo diz que eu chorava muito”, relata.

Zuleide Aparecida do Nascimento

Fichada pelo Departamento de Ordem Política e Social (Dops) aos quatro anos de idade, Zuleide Aparecida do Nascimento é uma das crianças presentes na famosa imagem que mostra 40 presos políticos trocados pelo embaixador alemão Ehrenfried Anton Theodor Ludwig von Holleben. Junto da avó e dos irmãos, Zuleide foi banida do país e enviada a Cuba, onde viveu por 16 anos. “Aqui, no Brasil, não vivíamos uma vida de criança. Tínhamos a mesma preocupação que os adultos: não sermos mortos.”

Ernesto Dias do Nascimento

Durante os anos de chumbo, Ernesto Dias do Nascimento passou pelo mesmo terror e, durante a vivida em Cuba, chegou a morar com Ñasaindy e Zuleide (a quem chama de “prima”). Aos dois anos de idade, o menino, então apelidado de “Chezinho” – em alusão à Che Guevara –, presenciou o pai, militante sindicalista, sendo torturado na Oban (Operação Bandeirantes). Para fazer com que o adulto fornecesse informações, os militares simulavam torturar o filho na sala ao lado. “Tive muito trauma minha vida toda. Eu não falava nada, não conversava. Aprendi espanhol só ouvindo.” O medo se estendia para fora de casa. “Eu tinha pavor de policial, tinha medo de sair na rua”, relata.

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14 comments

  1. Isabel Cristina 22 março, 2017 at 11:41 Responder

    Basta citar que até bebes eram torturados para que os pais, presos, ouvissem o choro das crianças em aposentos próximos. Tortura já é um crime contra a humanidade; apoiar e realizar a tortura de crianças indefesas e sem terem nada a ver com política é um ato realizado por criaturas ainda mais monstruosas, dementes sanguinários apoiados por pessoas insensivelmente insanas.

    • Carlos tacana vilaforte 23 abril, 2018 at 01:02 Responder

      Verdade Isabel, alguns imbecis dizem que nunca ouve uma ditadura militar, como o Zeze di Camargo por exemplo e outros bandidos que dizem que se fosse pessoas de bem não precisava temer a brutalidade do regime.

  2. Isabel Cristina 22 março, 2017 at 11:57 Responder

    Obviamente que somente posso ter um profundo ódio e asco por essas criaturas, torturadores e infanticidas.
    Quando a minha mãe estava na minha gestação, na época da ditadura, recebeu a visita de um oficial que fora designado para verificar a denúncia de aparelhos para a transmissão de contatos comunistas com o Brasil.
    Como os meus progenitores não tinham o que esconder, já que nem estavam envolvidos em ações contra ou ao favor da ditadura, o oficial – este, para a nossa salvação, era um oficial inteligente – avisou a minha mãe para que tivessem cuidado com algum vizinho contra eles, porque esse elemento teria criado esse boato para nos matar.
    O meu pai, com a sua beleza e extrema inteligência, já foi alvo da inveja de pessoas medíocres, fora o preconceito contra a sua origem estrangeira, assim como a minha mãe, também espanhola.
    Pelo que eu soube, este não seria um caso incomum durante a ditadura militar, quando muitas pessoas faziam denúncias falsas contra aqueles por quem nutriam desafeto.
    Lixo humano atrai porcaria humana…

  3. Isabel Cristina 22 março, 2017 at 12:13 Responder

    A ditadura militar é a que sempre mata, tortura e contrata psicopatas sádicos, pois é feita sob demanda por pessoas que visam, apenas, ao próprio lucro financeiro, extremamente exacerbado, em detrimento do poder e dos valores humanos de um povo.

    • Eduardo 28 maio, 2018 at 21:32 Responder

      Então não é muito diferente da democracia que vivemos hoje onde os políticos só pensam em si mesmo, bens, lucros e a população que se dane.

  4. Marisa 30 maio, 2018 at 17:04 Responder

    E hoje tem um monte de idiotas dizendo que não teve ditadura e pedindo a volta dos militares ao poder no Brasil. Se perguntarmos a esses simpatizantes da militarização se querem ver seus filhos ou netos torturados, o que será que vão nos responder?

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