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(Continuação)

Resistência

Como os editores não arredaram pé, mantiveram e radicalizaram a linha editorial, aos poucos os sócios-empresários foram afastando-se do empreendimento. Com o represamento do Rio Paraná para formação do reservatório em 1982, os problemas entre a administração da Itaipu Binacional e os proprietários, posseiros, indígenas e ambientalistas aumentaram, e todos eles foram parar na redação do Nosso Tempo.

Em seu editorial e nas reportagens, o semanário levantava com ênfase os conflitos sociais e políticos causados pela diretoria da Itaipu e pela explosão da expansão urbana.

Drible na legalidade

Em1981, aperseguição contra o semanário chegou ao seu nível mais elevado, com pressões contra os anunciantes e ameaças, inclusive de morte, aos editores. Como estes não recuaram diante das ameaças, os militares acionaram o Ministério do Trabalho para fechar o jornal, tendo em vista que Adelino, Juvêncio e Jessé não eram jornalistas profissionais.

Para que o jornal pudesse seguir seu trabalho, Élson Faxina e mais dois jornalistas profissionais – Fábio Campana e Noemi Osna – decidiram assinar o jornal como editores por diversos anos gratuitamente.

Processo e prisão Juvêncio

Apesar deste artifício legal, as pressões prosseguiram até que o regime arbitrário usou seu último recurso: enquadrar e processar Aluízio, Adelino e Juvêncio pela Lei de Segurança Nacional. Os dois primeiros foram absolvidos, mas Juvêncio foi condenado inicialmente a dois anos de prisão, pena depois aumentada para quatro anos pelo Superior Tribunal Militar.

Mesmo com um de seus editores preso, Nosso Tempo manteve a linha editorial, com Adelino, Aluízio e Jessé na edição, e Juvêncio escrevendo seus artigos da prisão, sempre na mesma linha contestatória e esquerdista, como se nada lhe tivesse acontecido.

A hora da oposição?

O ano de 1982 começava com uma correlação de forças extremamente favorável aos partidos de oposição, considerando que o regime instalado pelo golpe militar de 1964 estava fatalmente esgotado, com o país mergulhado em uma inflação cada dia mais em alta, a classe média descontente, e as greves operárias eclodindo no ABC paulista.

Nesse ano o Paraná elegeu José Richa seu governador, e havia no ar uma forte expectativa de se substituir chefias nos municípios sob intervenção.

Em Foz do Iguaçu, o movimento emancipacionista crescia com seguidas manifestações na frente da prefeitura. O clamor das ruas repercutia na Câmara Municipal por meio de discursos dos vereadores comprometidos com a democracia. E o Nosso Tempo repercutia as manifestações populares a favor de eleição para prefeito, até que no dia 11 de fevereiro de 1984 o coronel Clóvis Cunha Vianna oficializou o seu pedido de afastamento do cargo de prefeito. (Continua)

Texto extraído do site

http://www.nossotempodigital.com.br

Documento

Info E/AESI-6/IB/BR/010/81

13 julho de 1981

Título Publicaçao de imprensa contestatória – Jornal Nosso Tempo

 

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