20 jan 2022 - 9h00

everything here is very very crazy

me dá vergonha pensar na vez que, de raiva por terem me tirado uma fina, segui um motorista por quatro quadras e parei de atravessado na faixa de pedestres: o motorista engatilhou a primeira, mirou em mim e, quando o sinal abriu, me virou a ficha que o melhor era voltar pra ela, vivo

dez da noite, na canaleta nem bonde, fico espiado de parar a bike mas sei lá, intuição. o cara na calçada já tava meio longe

– SALVE

– ____ __ _______

ele apontava pra fron. a boca mexia sem máscara

– ALI NA FRENTE O QUE MEU PARCEIRO?

– ____ _____________!

– TÃO ASSALTANDO?

fez um jóinha e seguiu seu rumo. não sei se viu meu hang loose. quando eu tava saindo da canaleta, outro cara passa a milhão e não para quando grito. ele tava de bike também. tomara que não tenha perdido.

de barca pro Espírito Santo a gente cruzava São Paulo, Rio, um canto de Minas e papo de 25h depois chegava em Cachoeiro de Itapemirim. minha mãe é do Espírito Santo mas mora em Curita tem papo de 40 anos. em 2012 fui sozinho pra lá: tava tudo muito sol até que saiu o resultado do vestibular daqui. não ter passado tirou meu tesão da viagem e, cabaço, acabei antecipando a volta. lembro que tomei um porre na última noite e abri o peito pra minha tia. abri até ficar sem palavra, seco. aí ela trouxe duas trincando e disse Filho, lembra quanta gente morava nessa casa quando você vinha pequeno pra cá? Vó Maria, Alba, Alaílton… Agora é eu e Deus, eu e Deus e meu cigarro. Não reclama de barriga cheia não. Você tem a vida pela frente. minha tia só parou de fumar quando perguntaram se ela queria ver a formatura do filho.

Ida e volta pra Coroados tá dando dezesseis pila de pedágio. é mais jogo descer com gole e rango comprado porque fim de ano em praia pra tudo tem fila, luz acaba, gelo ninguém tem. na estrada de Garuva, 100 m depois de passarmos por um acidente onde uma mulher andava tipo sonâmbula com um recém-nascido nos braços, uma caminhonetona, dessas que fazem a gente pensar quão pequenas são algumas partes do corpo de quem as dirige, poda a gente num trecho proibido.

me dá vergonha pensar na vez que, de raiva por terem me tirado uma fina, segui um motorista por quatro quadras e parei de atravessado na faixa de pedestres: o motorista engatilhou a primeira, mirou em mim e, quando o sinal abriu, me virou a ficha que o melhor era voltar pra ela, vivo. Fernanda faz aniversário no mesmo dia do Elvis. dei uma Melissa e um chaveirinho de presente. na loja da Melissa até o álcool gel tem cheirinho e fiquei de olho na da Tarsila do Amaral. faz tempo que não me dou presentes. nasci no mesmo dia que o Zeca Pagodinho e no mesmo dia que a Hilda Hilst morreu. esses dias me perguntaram porque poetas são tristes: disse que a culpa não era da poesia. esses dias a Fernanda me perguntou se vou alcançar o xale pra ela quando formos velhinhos: meus olhos ficaram pequenos. são bem pequenos na real. vejo a vida por duas frestas.

ida e volta pra Coroados tá dando dezesseis pila de pedágio. é mais jogo descer com gole e rango comprado porque fim de ano em praia pra tudo tem fila, luz acaba, gelo ninguém tem. na estrada de Garuva, 100 m depois de passarmos por um acidente onde uma mulher andava tipo sonâmbula com um recém-nascido nos braços, uma caminhonetona, dessas que fazem a gente pensar quão pequenas são algumas partes do corpo de quem as dirige, poda a gente num trecho proibido. minha vontade era amassar a buzina. respirei fundo e agradeci. agradeci também quando chegamos, quando tirei um bode numa tarde de sexta-feira, quando fincamos os guarda-sóis na areia, quando consegui encarar o trânsito da volta e a correria do trampo no museu. geral de férias. chicote estala. minha mãe reza pra que eu tenha discernimento.

a fita de trampar no café do museu é que de terça a domingo tu faz seis horas, tem almoço, segunda é folga e um domingo por mês tu não trampa. tão contratando. quem tiver na pira, é só me dar um salve que passo o link do formulário. nas férias agora tá indo muito turista. esses dias, com meu inglês de sotaque indiano, falei pra uma mina gringa que Curita é tipo a Rússia brasileira. ela perguntou Why, eu respondi Everything here is very very crazy. a risada das pessoas muda muito de lugar pra lugar. as expectativas também. galera de São Paulo sempre gralha porque o espresso não acompanha água com gás, galera da Itália fica em choque com cacau em pó no cappuccino. eu acho loco. vou aprendendo. tô todo dia lá faz dois meses mas não deu tempo de ver os Gêmeos.

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