Richard Roch | Crônicas

bumerangue

tava garoandinho na tarde que o zap e o insta caíram: troquei de roupa no vestiário, enrolei um cigarro e fui pegar a bike. a chaveta do pedal esquerdo foi pro beleléu, a bicicletaria fica do lado do Cemitério Luterano. minha vó também tá enterrada lá

Richard Roch

catuaí vermelho

geral é diariamente metralhada por relatos de guerra e, nas linhas de frente, tomba antes quem carrega a bandeira

Richard Roch

alguém nos ajude Lázaro

as férias acabaram e daqui pro trampo dá papo de vinte páginas no bonde. o centenário/campo comprido chega vazio no terminal e vou sentado, de fone, vendo as pessoas entrando e saindo até que quem sai sou eu

Richard Roch

deixa a vida me levar

uma fita do fusca que sei lá se é bem como dizem é a de que geral curte. geral olha quando passa um? sim. mas às vezes é tipo uns olhar cabuloso em cima de umas boca nervosa que “falam” TIRA ESSA LATA VELHA DA RUA

Richard Roch

tá passada?

fico pensando no salário que aquelas pessoas recebem, em como uma tela de acrílico e um borrifador de álcool gel conseguem combater um vírus

Richard Roch

funkeiros cults

não sei quantas pessoas moram ali, nem de onde vieram. sei que faz sentido ficar na encolha porque em bairro burguês a propriedade é sagrada

Richard Roch

Curita loca

Passando a porta tem uma marquise. O segurança fica ali. Entre o calor e a pessoa deitada no papelão

Richard Roch