A crônica não mata – Parte 18

A humanidade se define, em parte, pela rica diversidade de seus sonhos. Conheci um menino que sonhava em ser padeiro. Já escrevi sobre ele, anos atrás. Todos os seus amigos sonhavam com a fama e a posteridade. Queriam ser jogadores de futebol, gamers, artistas de tevê, atores de teatro, MCs, políticos, ativistas. Ele só queria fazer pão

Luís Henrique Pellanda

A crônica não mata – Parte 16

Pergunto quem compôs aquela canção e o homem diz que foi ele mesmo, e até estranha a minha pergunta, achou que eu o conhecesse de antemão, fiz muito sucesso anos atrás, não me reconhece? Eu digo que não, e me desculpo por aquele lapso, sou muito distraído, não entendo nada de música

Luís Henrique Pellanda

A crônica não mata — Parte 15

Nas ruas, as pessoas se dividem em duas categorias básicas, reducionistas: as que usam e as que não usam máscara. Diante isso, concluo eu, uma única pergunta continua, e continuará, por muito tempo, a me assombrar: depois de 605 mil mortos, o que nos custa esconder metade da cara?

Luís Henrique Pellanda

A crônica não mata – Parte 14

Noto um movimento incomum na copa de uma palmeira, a uma quadra do meu prédio. Uma de suas folhas cai, pesadamente, na esquina da XV com a Faivre. Ali embaixo um homem a recolhe e, com perícia, a lança pelos ares de modo a fazê-la pousar, agora suavemente, sobre uma pilha de outras folhas, já murchas, à espera da remoção

Luís Henrique Pellanda

A crônica não mata – Parte 9

Volto para a cama, o remédio logo fará efeito. Quatro e meia, um grau negativo, sensação de menos dois. Debaixo de minhas três cobertas me desvio do sono ao lembrar que não foi aquela a primeira vez que ouvi alguém gritar benzetacil na rua, à noite

Luís Henrique Pellanda