Preciosidades | Jornal Plural
26 nov 2020 - 11h51

Preciosidades

Livros e LPs com dedicatória “transformam-se em preciosidades para colecionadores”

Nunca comprei livros e LPs só pela dedicatória.  Não sou colecionador de dedicatórias.

Comprei e compro – agora pela pandemia faz tempo que não visito um sebo – LPs e livros pelo conteúdo. Se com dedicatória melhor.

Tenho livros – cujo conteúdo não me agrada – que me foi presenteado e que contém dedicatórias. Não me desfaço deles, justamente em respeito ao autor e a dedicatória nele “depositada”.

Tomei conhecimento (https://ndmais.com.br/diversao/dedicatorias-em-livros-transformam-se-em-preciosidades-para-colecionadores/) que os livros – e acrescento LPs – com dedicatória “transformam-se em preciosidades para colecionadores”. Esta informação me leva a concluir que são colecionadores de dedicatórias e não de livros.

No site – recomendo visitá-lo – Eu te dedico, os/as responsáveis pedem para seus/suas seguidores/as enviarem foto da capa do livro e da página onde está a dedicatória para serem publicadas.

Informam que montaram o projeto com a ideia que:

Um livro com dedicatória é um livro com duas histórias, uma que começa no primeiro capítulo e uma que começou antes de se passarem as páginas. Dedicar é gravar uma intenção ou sentimento, e a proposta deste projeto é registrá-los.

Cada dedicatória tem uma história. Como não conheço as histórias, imagino-as e tento explicitá-las nestas crônicas.

As dedicatórias podem demonstrar afeto, cordialidade, recordação, amor, amizade, simpatia… Inimizades, creio que não.

Às vezes, a dedicatória – com a assinatura do/a autor/a – pode ser resultado de um simples e único encontro entre o autor/a e o/a – comprador/a – leitor/a do livro. Certo que o receptor/a do livro e da dedicatória deve admirar o autor/a do livro, caso contrário não teria ido até o/a autor/a.

Assim como há caçadores de autógrafos, os colecionadores de dedicatórias também devem ser caçadores das mesmas.

As dedicatórias que encontramos – e também as que não encontramos – nos sebos são histórias perdidas. Em minhas mãos tento reinventar as histórias ou criar outras.

Estava lendo Cabeza de Vaca, Naufrágios e Comentários, L&PM, e lembrei-me de uma viagem a Assunção (Paraguai). Viajei – a serviço – e a convite do Aldo Rebelo, na época presidente da Câmara dos Deputados.

Durante a viagem, ele me apresentou o livro Americanidade e Latinidade da América Latina e Outros Textos Afins, de Gilberto Freyre, composto de artigos que Freyre escreveu quando viajou em lua de mel para Assunção.

Em Assunção, Gilberto Freyre se hospedou no Hotel Colonial, atualmente Palácio Benigno López, edifício sede do Ministério de Relações Exteriores do Paraguai.

Em Assunção, junto com o embaixador do Brasil no Paraguai, visitamos as autoridades. Ao visitar a ministra – Leila Rachid – de Relações Exteriores do Paraguai, Aldo comentou sobre a história do edifício.

Durante os trajetos íamos conversando sobre política e história do Paraguai e toda a conversa era ouvida pelo motorista, um paraguaio.

No dia de irmos embora, este motorista surpreende a mim e ao Aldo presenteando-nos com livros – um para cada um. Ambos os livros, ele havia retirado de sua biblioteca pessoal para nos presentear.

O livro Ensayo sobre EL Doctor Francia y la Dictadura en Sud-America, que me foi presenteado, é escrito por Cecilio Báez, republicado em 1985. A primeira publicação é de 1910.

Este livro tem duas dedicatórias.

A mi sobrino Dr. Carlos C. Báez Rehenfeldt y família, Magistrado del Tribunal y nieto del autor de este libro, fraternalmente

Amadeo Báez … (inelegível para mim)

Asunción, 30 agosto 1985.

A segunda dedicatória é mais recente:

De la biblioteca familiar del Prof. Carlos Cecilio Baez Rehnfekdt, nieto del Dr. Cecilio Báez, nieto dilecto, ex miembro de la Corte Suprema de Paraguay, y nieto del Dr. Cecilio Báez, enviando en manos del hijo Carlos Joaquín Báez de la Facultad de Derecho U.N.A y en compañía del ilustre Prof. Dr. Ubaldo Centurión Morinigo, en su visita a la U.B.A y a la Corte Suprema de vecino País, este ejemplar.

                                       Báez

                                21 de set. 2005

                        As. Rep. del Paraguay.

Este livro, com estas duas dedicatórias, creio que é uma preciosidade.

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