Dolorosas recordações

Será a voz escrava saindo de dentro de um livro de história ou o capataz torturando-a? É a voz de um “índio” gritando socorro, um socorro tão longe, longo e profundo que não consigo ouvir e/ou compreender? Serão as vozes dos assassinados da favela do Jacarezinho?

Dr. Rosinha

Brasilian Serenata

Passa um carro tocando uma música – de péssima qualidade – alta. Sequer parece música, é uma batida rítmica – destas de bate estacas da construção civil – irritante que te rouba toda a atenção: não te deixa ler e/ou escrever e muito menos dormir

Dr. Rosinha

Mais da metade de mim

Eu que lá [favela do Jacarezinho] não vivo e ao vivo nada presenciei tive parte de mim arrancada. Quanto foi arrancado de muitas mães, esposas, namoradas e órfãos que agora são?

Dr. Rosinha

O canto da terra

A etnia Juma tinha mais de 12 mil pessoas. Aruka Juma – que agora faleceu – foi um dos poucos sobreviventes do extermínio que sofreram na década de 60. Mais um canto foi enterrado

Dr. Rosinha

Com carinho

Se na roça os diálogos eram repetidos e sempre cheios de esperanças, hoje, quando existem, são diminutos, via WhatsApp, quando não monólogo impositivo

Dr. Rosinha

Namoros

O isolamento me tirou dos sebos, mas quem me rouba – nos rouba – a vida é o inominável

Dr. Rosinha

Abraços especiais

Quero o velho normal de aglomerar-se para ouvir e cantar todos os bois: Boi de Mamão, Boi Bumba, Bumba Meu Boi, Boi Barrica…

Dr. Rosinha

A Terra é redonda

Antes da era dos computadores as pessoas rasgavam fotos ou cortava-as. Stalin e os stalinistas russos tinham fama de fazer isso. Suas vítimas eram obrigadas a fazerem isto. Hoje Luciano Huck apaga fotos na internet: apaga-as, não quer mostra o que é e onde sempre esteve: ao lado dos trogloditas, fascistas, hipócritas, canalhas…

Dr. Rosinha

Um beijo

Em função do bloqueio mental que sofro, meu cérebro é como um LP riscado e/ou sujo que mantém a agulha no mesmo sulco e a frase ou nota musical se repetindo

Dr. Rosinha