Dr. Rosinha | Crônicas

Mata e culpa o morto

Os encontrarei ou – viraram números – estarão entre os mais de 500 mil que morreram por – Covid-19 – não serem atletas

Dr. Rosinha

Posta Restante

Se Bolsonaro, se é que tem, abrir sua – Posta Restante – consciência vai encontrar mais de 500 mil almas com o indicador esticado chamando-o de assassino

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Dolorosas recordações

Será a voz escrava saindo de dentro de um livro de história ou o capataz torturando-a? É a voz de um “índio” gritando socorro, um socorro tão longe, longo e profundo que não consigo ouvir e/ou compreender? Serão as vozes dos assassinados da favela do Jacarezinho?

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Brasilian Serenata

Passa um carro tocando uma música – de péssima qualidade – alta. Sequer parece música, é uma batida rítmica – destas de bate estacas da construção civil – irritante que te rouba toda a atenção: não te deixa ler e/ou escrever e muito menos dormir

Dr. Rosinha

Mais da metade de mim

Eu que lá [favela do Jacarezinho] não vivo e ao vivo nada presenciei tive parte de mim arrancada. Quanto foi arrancado de muitas mães, esposas, namoradas e órfãos que agora são?

Dr. Rosinha

O canto da terra

A etnia Juma tinha mais de 12 mil pessoas. Aruka Juma – que agora faleceu – foi um dos poucos sobreviventes do extermínio que sofreram na década de 60. Mais um canto foi enterrado

Dr. Rosinha

Com carinho

Se na roça os diálogos eram repetidos e sempre cheios de esperanças, hoje, quando existem, são diminutos, via WhatsApp, quando não monólogo impositivo

Dr. Rosinha

Namoros

O isolamento me tirou dos sebos, mas quem me rouba – nos rouba – a vida é o inominável

Dr. Rosinha

Abraços especiais

Quero o velho normal de aglomerar-se para ouvir e cantar todos os bois: Boi de Mamão, Boi Bumba, Bumba Meu Boi, Boi Barrica…

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