28 dez 2021 - 8h15

Quem deixou a Itapemirim nascer?

Suspensão dos voos da companhia aérea ocorreu menos de seis meses após o primeiro voo

A suspensão dos voos da Itapemirim Transportes Aéreos já foi exaustivamente propagada pelos veículos de imprensa e pelas redes sociais, inclusive os prejuízos que os passageiros tiveram e a dificuldade que terão para serem reacomodados em outras companhias aéreas ou para recuperarem o dinheiro gasto. Mas ainda falta um ponto importante nisso tudo: como é que a Itapemirim foi autorizada a operar?

Os sinais foram dados meses antes do primeiro voo, com planos extremamente ambiciosos para uma empresa que estava em processo de recuperação judicial. Liderança no Brasil e destinos na Europa e Estados Unidos em pouco tempo eram algumas das promessas. Sem contar uma frota bastante robusta.

Nesse mundo da aviação não faltam falastrões e aventureiros. A aviação é um setor extremamente complexo e não se abre uma companhia aérea da noite para o dia. Especialmente em meio a uma pandemia. Nem mesmo empresas estrangeiras com muitos recursos e interessadas em operar domesticamente no Brasil tiveram a coragem de fazer isso. Não tinha como dar certo. Ou pelo menos poderia dar menos errado do que deu.

A questão é que não basta apenas colocar a Itapemirim na Justiça e fazer com que ela pague tudo o que deve para os passageiros, funcionários e fornecedores, e que os diretores sejam punidos. É preciso agora investigar quem analisou o pedido de autorização da companhia e em quais circunstâncias.

Tão grave quanto se aventurar nesse mundo é permitir uma aventura dessas.

Os alvos, de cara, devem ser a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e o Ministério da Infraestrutura. É mais do que necessário recuperar todo o processo, onde começou, por quem passou e como passou. E se, claro, pessoas de fora da Anac, tiveram alguma interferência no processo.

E não adianta a Anac dizer que “foi pega de surpresa”. Não é possível. Quem está nesse meio da aviação já tinha avisado muito antes de que a Itapemirim não reunia condições mínimas de se tornar uma companhia aérea. Ou esse pessoal tem bola de cristal ou a Anac não tem técnicos e diretores com capacidade para estar na agência que deveria regulamentar o setor. Ou a pressão foi forte, vai saber.

O ano de 2022 deve servir para encontrar os responsáveis por esse absurdo que foi a aventura meteórica da Itapemirim na aviação comercial. E também deve servir de aviso para que casos assim não sejam repetidos. E olha que há vários tentantes nesse setor que são claramente incapazes de abrir e operar decentemente uma companhia aérea.

Os sinais foram dados e espera-se que a lição tenha sido aprendida. E que isso sirva para alertar técnicos e diretores da Anac sobre novos aventureiros. Eles não faltam. E alguns já prepararam aventuras para 2022.


Em tempo. A coluna Voo Direto vai tirar um recesso e retorna em 8 de fevereiro de 2022. Até lá!

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

4 comentários sobre “Quem deixou a Itapemirim nascer?

  1. Só passando pra lembrar que o ministro da infraestrutura é o mesmo que está conduzindo a concessão dos pedagios no Paraná pelos próximos TRINTA anos…
    Mas, calma, não há com o que se preocupar.
    Dessa vez tudo vai dar certo.

  2. Ola bom dia pra todos aqui no Brasil nada vai dar certo porque aqui não tem lei os políticos só querem roubar pra eles 30 anos na consecao da Rodovia e brincadeira ne os pedágio vai aumentar e as passagem de onibus também e com isso os políticos vão ganhar né o Brasil está nas mãos do ladrão o Brasil não tem presidente ne tem o genocida asassano

  3. E lamentável essa situação da ita aéreo ,fui funcionário a 15 anos no transporte rodoviário em Minas, com essa nova gestão mais de 4000 funcionários foram demitido, até hoje nem receberam seus direitos trabalhistas até a justiça e comprada pelo direto Sidney piva , nenhum funcionário até hoje não recebeu nada mesmo com processo na justiça a situação de cancelamento dos serviços aéreo não é novidade pra os ex funcionários como ele sempre fez com pagamentos e o transporte rodoviário , e um empresário mentiroso , diante a sociedade e os funcionários deixo aqui meu desabafo esperamos justiça nesse país, com a família cola não havia essa displina , e uma alerta pra todos nós brasileiros

  4. Pelo menos, no caso dos Pedágios, não temos o risco de comprar um ticket e perder dinheiro. Pagou, passou. E, qual é a relação de Infraestrutura, com os órgãos reguladores que aprovam atividades de transporte aéreo? Podem até pertencer a mesma pasta, mas, são geridos por setores governamentais completamente separados.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Os comentários feitos em textos do Plural são moderados por pessoas, não robôs, e não são publicados imediatamente. Não publicamos comentários grosseiros, agressões, ofensas, acusações sem provas nem aqueles que promovem tratamentos sem comprovação científica.

Últimas Notícias

Comparação entre aumento da gasolina e patrimônio da família Bolsonaro usa dados imprecisos

É enganosa a comparação feita em uma postagem com percentuais sobre reajuste da gasolina no Brasil e crescimento patrimonial da família Bolsonaro. O índice do aumento do combustível não se refere a um ano, como indicado. O valor de aumento de gasolina se refere a um período de três anos, enquanto a evolução de patrimônio ocorreu em período de 12 anos para Jair e Flávio e quatro anos para Eduardo

Projeto Comprova