10 ago 2021 - 8h30

PAPI: a sigla que atormenta os aeroportos do interior do Paraná

Instalação de equipamento de auxílio para pousos é condição imposta pela Azul para retomar voos em algumas cidades do estado

Os administradores de alguns aeroportos do interior do Paraná, notadamente os prefeitos das cidades onde estão localizados, descobriram recentemente que uma sigla bastante comum no mundo da aviação está empacando o retorno dos voos da Azul. É o tal do PAPI, iniciais de Precision Approach Path Indicator, em português: Indicador de Percurso de Aproximação de Precisão.

O PAPI é um sistema de iluminação instalado ao lado da pista que indica aos pilotos em aproximação se estão na altitude correta para o pouso. Com esse sistema, o piloto sabe se está mais baixo ou mais alto em relação ao ângulo que deve manter nessa fase sensível do voo.

No Paraná, os cinco aeroportos que operam voos regulares contam com o equipamento: Afonso Pena, Cascavel, Foz do Iguaçu, Londrina e Maringá. Ponta Grossa também tem o sistema, mas está sem voos comerciais desde março de 2020.

E é exatamente esse PAPI que a Azul colocou como condição para retomar voos em cidades que antes da pandemia contavam com operações regulares da empresa. Estão na lista Guarapuava, Pato Branco e Toledo.

“Essas condições tornarão nossas operações nessas cidades mais regulares e a gente conta com as autoridades dessas cidades para implantarem essas melhorias. A demanda existe e nós estamos apenas aguardando esses ajustes para voltarmos com nossas operações e deixar o estado do Paraná ainda mais conectado para além dos cinco aeroportos que já operamos atualmente”, afirmou o gerente de Planejamento de Malha da Azul, Vitor Silva, em comunicado à imprensa.

O porém é que o PAPI não se instala do dia para a noite, nem mesmo se homologa em pouco tempo. Além da compra e instalação, há todo um período de testes por parte da Força Aérea Brasileira (FAB) para que o equipamento seja aprovado.

Por enquanto, nenhuma das cidades que tentam retomar os voos conseguiu comprar o equipamento, que custa cerca de R$ 400 mil. Enquanto algumas buscam recursos no governo federal, outras tentam se virar para acelerar a questão. É o caso de Pato Branco, que assinou um termo de doação para receber de empresários da região o valor de R$ 107 mil, que será destinado para a reativação do sistema de rádio e para a execução do projeto executivo para implantar o PAPI.

A questão é que se a Azul não abrir mão dessa exigência, vai demorar para que Guarapuava, Pato Branco e Toledo voltem a contar com voos regulares. Só é importante destacar que é possível operar nesses aeroportos sem PAPI, afinal antes assim a companhia fazia. Mas, ao mesmo tempo, o PAPI garante uma operação mais segura e eficiente.

No caso de Umuarama, que sequer chegou a ter voos, além do PAPI, a Azul ainda aguarda a homologação dos sistemas de aproximação por instrumento.

E Ponta Grossa, que já tem tudo isso? O problema por lá é outro. A Azul fez algumas demandas, principalmente em relação à operação em solo, pedindo que se aumentasse o espaço entre a pista e vias com circulação de carros, por exemplo. Segundo a prefeitura da cidade, essas intervenções estão sendo realizadas.

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

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