5 out 2021 - 8h00

O que esperar do “novo” Voe Paraná?

Governo estadual retomou programa de incentivo à aviação regional com um novo parceiro: a Aerosul

Após 18 meses suspenso por causa da pandemia da Covid-19, o governo do Paraná retomou o programa Voe Paraná. Antes operado pela Gol, com aeronaves da TwoFlex, agora quem assume a tarefa de ligar as cidades do estado é a Aerosul, empresa com sede em Arapongas.

O programa de incentivo à aviação regional começou em outubro de 2019, mas foi interrompido depois de seis meses, com a chegada da pandemia. Entretanto, mesmo com a retomada do setor aéreo, o Paraná ficou de fora dos planos da Azul Conecta, o braço da Azul que comprou a TwoFlex, antiga operadora do Voe Paraná, que passou a operar de forma semelhante em outros estados.

A Aerosul, que atuava no setor de táxi aéreo, conseguiu autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para o transporte regular de passageiros e iniciou em junho voos próprios ligando Curitiba a Florianópolis. O momento foi oportuno para o governo estadual, que viu a oportunidade de retomar o programa de aviação regional.

A parceria começou oficialmente em 27 de setembro, com o voo entre Apucarana e Curitiba. E no dia seguinte, Pato Branco entrou na malha. E Arapongas também ganhou uma conexão no início de outubro. Até o fim do ano, a Aerosul pretende voar da capital para Londrina, Telêmaco Borba, Guarapuava e Foz do Iguaçu.

Levando em conta os destinos sem operação comercial de outras companhias aéreas, o estado poderá ter cinco cidades do interior no pacote do Voe Paraná. Um número mais discreto que a primeira fase do programa, quando dez municípios tinham ligação com Curitiba.

A quantidade de agora, porém, parece ser muito mais factível do que antes. Por mais que seja importante ter mais cidades com a opção do transporte aéreo, é melhor haver mais consistência em menos destinos do que voar apenas por voar para determinadas cidades.

Além disso, a Aerosul já nasceu como uma empresa para operar nesse tipo de mercado. Nasceu com os aviões apropriados para cumprir as rotas. O Cessna Caravan C208 tem capacidade para nove passageiros e consegue operar facilmente nos aeroportos do interior, mesmo aqueles com sérias limitações de infraestrutura.

E do ponto de vista de mercado, também faz mais sentido uma empresa puramente regional. Isso porque a Gol, quando esteve junto com o governo no Voe Paraná, viu no programa a simples possibilidade de se aproveitar de uma redução da alíquota de ICMS sobre o querosene de aviação. Valia a pena para a empresa colocar aeronaves voando para cidades do interior, mesmo que não fosse rentável financeiramente, para pagar menos tributo. Vale lembrar que praticamente metade dos custos de uma companhia aérea é com combustível.

Isso tornava a relação muito mais frágil. Uma eventual mudança nesse modelo de parceria sepultaria automaticamente o programa de aviação regional. Assim como foi com a própria Azul, que poderia ter retomado o Voe Paraná. Mas o fato de voar para outros destinos paranaenses, esses sim com apelo financeiro, já dava à empresa os benefícios da redução de ICMS.

Por isso ter uma empresa puramente para atuar nesse mercado regional, de aeroportos menores, faz mais sentido. Mas, claro, vai depender também das contrapartidas do governo do Paraná, seja com o próprio ICMS e outros benefícios. Os próximos meses vão dizer se as expectativas da Aerosul e da administração estadual são realmente as mesmas.

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

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