Grupo CCR vai administrar 4 aeroportos do estado | Jornal Plural
7 abr 2021 - 19h59

Grupo CCR vai administrar 4 aeroportos do estado

Dona de concessionária de rodovias no Paraná arrematou o Bloco Sul e terá controle dos terminais do Afonso Pena, Bacacheri, Foz do Iguaçu e Londrina até 2051

A Companhia de Participações em Concessões (CPC), que pertence ao Grupo CCR, arrematou o Bloco Sul por R$ 2,128 bilhões e vai administrar nove aeroportos da região Sul pelos próximos 30 anos, incluindo os paranaenses Afonso Pena, Bacacheri, Foz do Iguaçu e Londrina. Além destes, estão no pacote Joinville e Navegantes, em Santa Catarina, e Bagé, Pelotas e Uruguaiana, no Rio Grande do Sul.

O valor apresentado pela CCR significou ágio de 1.534,36% — o lance mínimo era de R$ 130,2 milhões — e foi bem acima dos outros dois concorrentes. A proposta da Aena Desarollo foi de R$ 1,005 bilhão e da Infraestrutura Brasil Holding XII ficou em R$ 300 milhões. Nenhuma delas subiu a proposta inicial.

A expectativa é que a concessionária que substituirá a Infraero na administração dos aeroportos invista R$ 2,86 bilhões até 2051. A maior parte desses recursos será direcionada para o Afonso Pena (R$ 566,2 milhões), Foz do Iguaçu (R$ 512,3 milhões), Navegantes (R$ 446,1 milhões) e Londrina (R$ 272,8 milhões).

Entre as principais obras previstas para o Paraná estão a construção da terceira pista do Afonso Pena e de uma nova pista em Foz do Iguaçu, e ampliação da pista e construção de um novo terminal de passageiros em Londrina. A coluna Voo Direto detalhou as intervenções em cada um dos quatro aeroportos paranaenses:

Aeroporto Afonso Pena

Aeroporto do Bacacheri

Aeroporto de Foz do Iguaçu

Aeroporto de Londrina

Qual a experiência da CCR com aeroportos?

O Grupo CCR é bastante conhecido em todo o Brasil pela participação em concessões de rodovias, inclusive no Paraná. No setor aeroportuário, a atuação é um pouco mais discreta. Em território nacional, é uma das administradoras do aeroporto de Confins, em Belo Horizonte. E fora do país, controla três terminais.

A CCR entrou nesse segmento em 2012 ao comprar participação societária no grupo que venceu a concessão para construir e administrar o aeroporto Mariscal Sucre, em Quito, em 2002. Hoje, a empresa brasileira tem 50% do consórcio Quiport, responsável pelo terminal até 2041.

Também em 2012, a CCR entrou no consórcio que administra o aeroporto de Curaçao inicialmente com 40,8% do capital e o ampliou para 79,8% em 2013. A concessão se estende até 2033.

No mesmo ano, a CCR investiu no aeroporto Juan Santamaría, em San José, na Costa Rica. O grupo adquiriu uma parte da Aeris Holding na ocasião e em 2018 aumentou a participação para 97,15%, tornando-se o principal controlador do terminal até 2026, quando se encerra o contrato de concessão.

A primeira investida da CCR nesse setor no Brasil foi na concessão do aeroporto de Confins, em Belo Horizonte, em 2013. Junto com a Zurich Airport e a Munich International Beteiligungs, arrematou o terminal por R$ 1,8 bilhão. A CCR detém 75% das ações desse grupo privado que controla o aeroporto com 51% de participação — os outros 49% pertencem à Infraero.

Em pouco mais de dois anos de concessão, o terminal foi ampliado e aumentou em 60% a sua capacidade de operação, agora para 22 milhões de passageiros por ano. Em maio de 2020 inaugurou o Aeroporto Industrial, um empreendimento para instalar empresas dentro do sítio aeroportuário com benefícios fiscais para exportação.

Agora a CCR acrescenta os nove aeroportos do Bloco Sul à sua carteira, além de outros seis que formam o Bloco Central, também arrematado pelo grupo nesta quarta-feira. O valor da outorga dos aeroportos de Goiânia (GO), São Luís (MA), Teresina (PI), Palmas (TO), Petrolina (PE) e Imperatriz (MA) foi de R$ 754 milhões, um ágio de 9.156,0% em relação ao lance mínimo.

A CCR e os pedágios do Paraná

Os paranaenses conhecem o Grupo CCR há um bom tempo, desde quando ele assumiu a concessão de algumas estradas no estado, em 1998. Na figura da CCR Rodonorte, é responsável por 487 quilômetros de rodovias no Paraná, com trechos pedagiados na BR-277, BR-376 e PR-151, que ligam Curitiba a Apucarana e Ponta Grossa a Jaguariaíva.

Ao longo do contrato de concessão, que se encerra neste ano, o grupo se envolveu em esquemas de corrupção. A própria concessionária admitiu ao Ministério Público Federal (MPF), no âmbito da Operação Lava Jato, que desde 2000 pagava propina para fazer alterações em contratos e ser desobrigada a realizar obras previstas em 345 quilômetros de estradas. Um dos aditivos, por exemplo, retirou a obrigatoriedade de construir um contorno em Ponta Grossa.

A Rodonorte acabou fechando um acordo com a força-tarefa da Lava Jato no valor de R$ 750 milhões. O termo de leniência assinado em 2019 previa a destinação do montante para multas, redução das tarifas em 30% e execução de parte das obras previstas no contrato original. O valor acordado precisa ser quitado até o final da concessão neste ano.


Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

Últimas Notícias