Não se desespere: os likes do Instagram sumiram | Plural
18 jul 2019 - 20h10

Não se desespere: os likes do Instagram sumiram

Entenda a relação disso com o suicídio da influencer que se casou consigo mesma

Então, é verdade mesmo.

O Instagram passou a ocultar no feed de publicações o número de curtidas – os coraçõezinhos que indicavam que aquele post era mais popular.

Por enquanto, oficialmente, são só testes. Mas já se sabe que essa é uma tendência mesmo.

O assunto virou até alvo de teoria da conspiração para Carlos Bolsonaro (sim, nosso amigo Carluxo aqui outra vez), conforme você vê nesse tweet que deu o que falar.

E apesar do desespero de muitos instagrammers (sim, é uma profissão e o corretor automático nem sublinhou essa palavra como errada), queria te contar por que isso não é uma tragédia grega.

Os números são a glória e a tragédia das redes sociais.

Medir o impacto do conteúdo que a gente produz é sim uma faca de dois gumes. 

Antes, pela medição de audiência de um programa minuto a minuto ou pelo volume de cartas que um jornal recebia depois de uma matéria, por exemplo, era possível ter uma ideia do que tinha funcionado melhor em termos de assunto ou formato. Mas não era tão preciso e nem democratizado quanto hoje. Com as ferramentas certas, agora é possível saber até que ponto da barra de rolagem a maioria dos leitores chegou ou com precisão em qual segundo de um vídeo a audiência começou a se desinteressar. 

E isso é excelente.

Dá a nós, reles produtores de conteúdo (e hoje, somos muitos, das mais diversas áreas que não só da comunicação) um norte muito mais apurado de como conversar bem com nosso público. Responder, interagir, apostar em um formato que teve bastante engajamento ou saber que um tema x é popular entre nossos seguidores.

No entanto, nem tudo são flores.

A obsessão por números – muitas vezes vazios – nos transformou em desesperados por resultados a todo custo e a qualquer preço.

Temos fazendas de likes e um verdadeiro comércio de seguidores que não servem a nenhum propósito que não seja alimentar nossa vaidade e ludibriar possíveis parceiros comerciais impressionados com várias casas de números.

O assunto entrou até na novela das 9.

Temos sorteios promovidos por gente que pede pra seguir mil perfis, compartilhar, comentar, bla bla bla.

O “jogo do bicho da internet” só tem uma causa e um objetivo final: forjar um engajamento que não existe. Não é real, não é genuíno.

A verdade é que as mídias sociais, em alguns pontos, parecem uma terra sem lei e de parâmetros psicológicos duvidosos. 

A conta da digital influencer que foi deixada pelo noivo às vésperas do altar, casou consigo mesma e se suicidou no dia seguinte depois de uma enxurrada de críticas virtuais triplicou de seguidores depois da morte dela. Agora, me explica, pra quê?

Porque, conforme eu já disse aqui uma vez, as pessoas são doidas na Internet.

Eu nem sei se são doidas na vida real, mas na internet elas se transformam num monstrinho pior do que o Pateta no trânsito.

Nesse universo descontrolado, a decisão do Instagram de tomar uma medida tão polêmica e que certamente desagradou muita gente que usa esses dados pra ganhar dinheiro, pode enfim ter seu lado bom.

Os números continuarão disponíveis aos criadores de conteúdo. Internamente, você continua sabendo quais publicações tiveram mais “resultado” e usando essa informação para criar novas conversas com seus seguidores.

Sonho com a hora em que até o número de seguidores de uma conta seria ocultado. 

Porque não é isso que realmente importa.

O que importa é o que você tem a dizer. Como vai dizer. O quanto está disposto a estudar, experimentar, testar e descobrir na prática qual a melhor estratégia pra você ou pra sua empresa.

Não tem receita de bolo.

Não tem mágica.

Agora, não tem mais coraçãozinho embaixo da foto.

Mas ó, Instagram, um coraçãozinho pra você!

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