24 maio 2022 - 9h53

O E do ESG: uma conversa entre pessoas e não entre marcas

Clima, água, energia, consumismo e outras palavras que cabem dentro do E de ESG e o que você tem a ver com isso

Em nossa conversa anterior entramos no tema O que é o ESG para empresas? de maneira geral, a etapa agora é criar uma pequena sequência de textos para falar sobre cada uma das letras dessa sigla, assim você terá um lugar seguro para consultar informações e pensar na estratégia da sua empresa, ações individuais e coletivas.

Vamos seguir a ordem do acrônimo e começar pelo ‘E’ ou ‘A’ em português, esta é a oportunidade de reconhecer iniciativas das marcas que você consome e de repensar o que você entende por sustentabilidade ambiental. Afinal, por mais duro que pareça, aqui cabe bem a referência ao filósofo indígena, Ailton Krenak, que diz que estamos comendo o planeta com a esperança de colonizar Marte. Assumindo essa responsabilidade, vamos a reflexão mais do que necessária em nossos tempos.

Environmental ou Ambiental abarca as práticas de uma empresa ou entidade voltadas ao meio ambiente. Até preferimos referenciar aqui como natureza, entendendo que os recursos naturais não estão alocados em um ‘meio’, e sim, integram a vida em sociedade. Entram aqui as discussões, preocupações e ações sobre o clima, o aquecimento global, a emissão de gases poluentes (como o carbono e metano), a poluição do ar e da água, o desmatamento, a gestão de resíduos, eficiência energética, entre outros.

Para quem acompanha a coluna “Tem futuro?”, vai perceber que todas as pautas que conversamos até aqui e que envolvem a possibilidade de um futuro, tem o tema ambiental presente e entrelaçado. E esse pilar precisa do olhar conjunto das empresas, do governo e dos cidadãos. Sempre é bom lembrar que vivemos no Brasil o momento pré-eleições e para essa possibilidade dar certo a população precisa observar as propostas de cada candidato.

Um dos insights do Summit ESG, promovido pela AMBIMAR em 2021 é que “na prática, empresas e governos precisam remar no mesmo sentido, não apenas no Brasil, mas em todo mundo. Como não existe um plano B para o planeta, no caso da crise climática, grandes grupos corporativos podem até cumprir suas metas de redução de emissão de gases de efeito estufa. Mas o que adiantará tal esforço se os governos dos países abraçarem o negacionismo e criarem políticas públicas baseadas no velho capitalismo, em que a questão financeira tem mais peso do que os aspectos sociais e ambientais.”

Não há um plano B, não há mais recursos suficientes, o aquecimento global existe e estamos à beira de uma catástrofe climática, precisamos entender que todos temos responsabilidade e a nossa individual é como cidadãos estar dispostos a exercer nossos papéis com consciência ambiental e social. Se existe alguma dúvida ainda, o novo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) lançado na última semana aponta que as emissões nocivas de carbono de 2010-2019 foram as mais altas na história da humanidade, com aumentos de emissões registrados  “em todos os principais setores do mundo”.               

António Guterres, Secretário-Geral das Nações Unidas (ONU), já havia durante a Conferência das Partes sobre Mudança do Clima (COP26): “Nosso frágil planeta está por um fio. Ainda estamos à beira da catástrofe climática. É hora de entrarmos em estado de emergência — senão a nossa chance zerar emissões líquidas se tornará, de fato, zero”. E agora, após o relatório endossou que estamos caminhando rapidamente para um desastre:  “Isso não é ficção ou exagero. É o que a ciência nos diz que resultará de nossas atuais políticas energéticas. Estamos no caminho para o aquecimento global de mais que o dobro do limite de 1,5 grau Celsius que foi acordado em Paris em 2015″.

Eu, eles e nós: o futuro é responsabilidade coletiva!

No caso das empresas é preciso mergulhar nas temáticas de clima, de racismo social, de desigualdade, de emissão de gases, de gestão de resíduos, atuar na fiscalização e cobrança dos governos sobre a questão do desmatamento, criar soluções e cobrar implementação para redução da poluição. É tempo de uma administração responsável das empresas.

O papel do indivíduo é fiscalizar as marcas que ele consome e entender o que é consumo responsável, o que é comprar de marcas que fazem gestão adequada de resíduos e embalagens, que não exploram mão de obra e nem contribuem para o índice de pobreza e desigualdade aumentar, pois isso reduz acesso à educação ambiental e aumenta os riscos a preservação da vida no planeta. Sabemos que hoje no Brasil, e boa parte do mundo, a desigualdade não permite que todos façam escolhas e invistam tempo em estudos sobre esse tema, então podemos oferecer nosso conhecimento para cobrar os governantes e para conversar e ensinar de maneira amigável.

E é imprescindível que nós tenhamos educação política para entender a importância de cada instância de poder, para cobrar (e não esquecer) quem elegemos, para saber que é preciso sim questionar e entender o que cada candidato promete e os projetos que eles já formularam e aprovaram em suas cadeiras de governadores, senadores, vereadores, prefeitos e outros cargos.

O termo ESG é o pilar sustentável para o universo corporativo e está intimamente ligado aos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), ou seja, claramente todo e qualquer assunto que envolva as perspectivas social, ambiental e econômicas precisam ser entendidas por todos nós. É responsabilidade coletiva!

Dica de leitura: 10 dicas para combater a crise climática e O planeta pede uma vida circular onde uma existência nutre a outra.

Fez sentido para você? Sente dúvidas e gostaria de compartilhar? Deixe seu comentário. No próximo encontro vamos conversar sobre o S – Social.

Até lá!

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

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