Isolamento social dia 195 | Jornal Plural
28 set 2020 - 11h14

Isolamento social dia 195

Será que dá pra ser efetivo em redes sociais?

Querido diário: lembra que semana passada eu falei sobre pensar sobre o meu uso de redes sociais? Acho que cheguei a um raciocínio.

Bem resumidinho: Mais amor que ódio.

Eu até tomava cuidado com esse equilíbrio, mas era que meio entre perfis. Agora, especialmente com as eleições chegando, quero tomar o cuidado pra não cair na armadilha do ódio.

Vou dar um exemplo da estratégia “fale mal, mas fale de mim” que governos opressores fazem o tempo todo. Eles cometem uma barbaridade, dizem uma atrocidade, a gente corre mostrar nossa indignação e eles roubam – de novo – o foco da atenção de todo mundo. As pessoas que já pensam como nós dão like no post, as pessoas que pensam diferente pensam “se mexeu com essa galera, talvez seja uma coisa boa!” e a nossa indignação continua na nossa bolha.

Eu gostaria muito que a presidência dos Estados Unidos mudasse este ano, mas acho que não altero nada só falando do futuro ex-presidente e repetindo seu nome. Pra cada coisa ruim sobre ele eu preciso colocar duas coisas boas que virão com a mudança, ou o posicionamento da @aoc sobre um tema, ou qualquer aspecto positivo sobre a mudança. Em vez de focar no que está errado, focar no que de bom pode vir.

Outro jeito de resumir o raciocínio: usar meu ki aikido também em postagens de redes sociais.

Posso fazer isso porque não sou jornalista, né? Então eu posso decidir como usar minhas redes, saber que elas podem ter um poder grande ou mínimo de repercussões e entender que não é só mais uma foto, não é só mais um post, é a minha contribuição na algazarra, na gritaria da ágora. Eu também fico puto, eu estou indignado com o que acontece, mas qual é a minha colaboração?

Além do filme O Dilema das Redes, algo que me fez muito bem foi a existência do @slpng_giants_pt e ver que é possível tomar medidas efetivas contra a ignorância sem usar as mesmas armas da ignorância. Outra coisa foi o filme NO (Chile, 2012), o que me deu muito o que pensar sobre as ferramentas do humor.

Não estou querendo ser ingênuo, só estou tentando descobrir como ser efetivo. Vai que funciona, né?

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

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