19 ago 2021 - 8h30

Música serve pra isso (também)!

Em uma nação bélica e propensa a violência, como é o caso dos americanos, a necessidade de se lançar mão da música como forma de combate a temas como raça, gênero, armas, violência, se torna forte

Recentemente vimos a banda norte americana Foo Fighters protagonizar mais uma pegadinha contra os membros da Westboro Baptist Church, considerara uma igreja ultrarradical, e famosa por fazer criticas a artistas. A pegadinha, chamada de Rickroll, aconteceu no meio de uma manifestação da igreja, com a banda chegando de caminhão e tocando o grande hit dos anos 1980 “Never gonna give you up”, de Rick Astley. A briga dos Foos com a “igreja do ódio” não é nova. Em 2011 também aconteceu uma ação parecida, mas na ocasião a música tocada foi “Keep it clean”, que fala de amor gay.

O caso do Foo Fighters é a continuidade, do que vou arriscar chamar, de uma tradição no engajamento politico sobre diversos temas sensíveis à sociedade americana. Em uma nação bélica e propensa a violência, como é o caso dos americanos, a necessidade de se lançar mão da música como forma de combate a temas como raça, gênero, armas, violência, se torna forte, principalmente a partir do século XX em diante. Diversos músicos fizeram críticas sobre questões sensíveis não apenas para a sociedade americana, como a Guerra do Vetnã (1955-1975), por exemplo. Quando Jimmy Hendrix tocou em sua Fender Stratocaster branca o hino americano, misturado com o som de bombas, durante o Festival de Woodstock em 1969, ele falava com a sua geração, que já estava cansada do conflito. No mesmo ano, o ex-beatle John Lennon e sua mulher, Yoko Ono, passam duas semanas na cama, também em um ato contra a Guerra do Vietnã, que ficou conhecido como Bed In. Como fruto desse protesto, nasce a canção “Give Peace a Chance”.

Na música brasileira podemos citar diversos exemplos de artistas que também usaram de sua arte para se manifestarem diante de causas que consideraram importantes de serem faladas (ou cantadas). No período da ditadura militar (1964-1985), nomes como Geraldo Vandré, Chico Buarque de Holanda, Gilberto Gil, Caetano Veloso, entre tantos outros, se manifestaram diante dos horrores que o governo ditatorial apresentou durante todos os anos em que esteve vigente. Pensando no Brasil de hoje, questões antigas ainda persistem em nos rodear, como a violência, desigualdade social, racismo, pobreza, homofobia, entre tantos outros. E continuamos a ter vozes (que bom!) que, através de sua arte, denunciam e nos faz refletir. Como exemplo podemos pensar no trabalho do grupo de rap Racionais MC’s, que escancara todas as mazelas das comunidades de periferia, para quem quiser ouvir.

Guernica, de Pablo Picasso, mostrou os horrores da Guerra Civil Espanhola.

A arte não é feita apenas para agradar ou embelezar o mundo. Arte também é feita para incomodar, chocar, gerar repugnância, fazer pensar. Quando Pablo Picasso criou a obra Guernica em 1937, ele fazia sua denúncia aos horrores da Guerra Civil Espanhola (1936-1939). São imagens distorcidas, com corpos retorcidos e faces de terror e sofrimento. Guernica de Picasso é uma denúncia sobre guerras, violência e sofrimento.

Cabe à arte e aos artistas manterem sempre vivo o espírito da liberdade de expressão, provocando e fazendo o povo pensar, e dançar, inclusive ao som de Rick Astley!!

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