5 ago 2021 - 8h30

Eu, o Kiss e o Maracanã

O Kiss é um caso onde não há meio termo: ou você ama, ou você odeia com todas as forças

Seria a primeira vez que eu saia só com os amigos para um programa longe de casa. O ano era 1983, e eu morava em Icaraí, bairro de Niterói. Eu era um garoto de 14 anos que só tinha visto algumas imagens dos integrantes do Kiss em alguma banca de jornal ou um pôster na casa de amigos. O rock ainda não fazia parte da minha vida, mas depois daquela noite as coisas mudaram um pouco.

Éramos em uns 5. Pegamos um ônibus que fazia uma linha entre Niterói e Rio, passando pelo Maracanã, local do show. Acho que era só a segunda vez que eu entrava lá, depois voltaria outras vezes para outros shows e… futebol, é claro! O ponto de visão do palco não era dos melhores, mas para um primeiro show de rock estava ótimo. Quando começou, foi um bombardeio de informações: som, luz, fumaça, fogos, cenário, tudo ao mesmo tempo, sem te dar tempo de processar direito. Ao final eu sabia que aquela experiência ficaria comigo por muito tempo, e eu mal sabia como aquilo iria repercutir na minha vida como músico profissional, algo que me tornaria mais tarde.

Assim como descrevi rapidamente minha experiência de viver um show do Kiss, milhares de pessoas ao redor do mundo viveram o mesmo. Alguns seguiram suas vidas como médicos, advogados, atletas… e outros se tornaram músicos, cantores, ou artistas do entretimento. Viver um show desses caras é algo como uma mistura entre o Cirque du Soleil e Alice Cooper. Tudo é muito, para encher os olhos e ouvidos mesmo!

Mas “rock and roll all night and party every day” cobra um preço, e com isso Demon, Starchild, Spaceman e Catman, vão pendurar seus instrumentos e uniformes. A banda novaiorquina, formada em 1973, está na sua turnê de despedida (agora pra valer), chamada End Of The Road World Tour, que passará por diversos países, inclusive o Brasil. Com quase 50 anos de carreira, a banda fará suas últimas aparições, e Curitiba está na lista das cidades brasileiras que irão dar um bye bye para Gene Simons e companhia. Por conta da pandemia, o show foi remarcado para o dia 19 de outubro deste ano, na Pedreira Paulo Leminski, se tudo der certo.

O Kiss é um caso onde não há meio termo: ou você ama, ou você odeia com todas as forças. Muitos os consideram caras fantasiados que fazem um rock mediano, questão de opinião, entendo perfeitamente. Mas saquei com o tempo, que a proposta principal do Kiss é entregar diversão, e a música é apenas parte disso e não o propósito final, apesar de que petardos como “Detroit Rock City” são difíceis de se ficar indiferente.

Eles podem parar, mas sua obra segue, com todos os que odeiam ou amam seu trabalho. Vão continuar influenciando jovens pelo mundo que poderão, quem sabe, até se tornarem um Dave Grohl (Nirvana, Foo Fighters) ou um Tom Morello (Rage Against the Machine), fãs declarados, ou até mesmo influenciar um jovem de Niterói a se tornar músico e sair divertindo as pessoas por aí. Pode até ser o fim da estrada, mas teremos rock’n roll a noite toda e festa todo dia por muito tempo!

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

4 comentários sobre “Eu, o Kiss e o Maracanã

  1. Belo texto. Me fez lembrar diversas aventuras juvenis que me forjaram como indivíduo que integra esse mundo da arte não só como expectador.
    Obs: eu gosto do ‘case’ Kiss muito mais do que da Banda Kiss…

  2. Tatá… grande baixista, produtor, professor e grande amigo… texto massa de ler e poder imaginar o moleque com os olhos vidrados, impressionado com o Kiss, que no palco, tocavam e celebravam um dos maiores espetáculos do rock.

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