O homem que salvou a China | Jornal Plural
27 ago 2020 - 20h55

O homem que salvou a China

Deng Xiaoping conseguiu o feito de tirar o país asiático da pobreza

O ano de 1978 para a China foi um radical divisor de águas em toda a sua história, principalmente a do século 20. Sob o comando do Deng Xiaoping deixa os ditames de Mao Tsé-tung para trás e sua Revolução Cultura (1966), promovendo reformas econômicas e sociais profundas, que não só tirou centenas de milhões de chineses da miséria, como ao longo do tempo alçou a China com um dos principais pilares do capitalismo no século 21. A sua visão (e versão) de capitalismo, salvou seu país e modificou a história do mundo.

Xiaoping considerava a visão maoísta um verdadeiro desastre para seu país, e outros (muitos outros) também pensavam assim. Foi de fato um desastre. Dados oficiais mostraram que 740 milhões de pessoas (numa população de 800 milhões) estavam na pobreza naquele momento (1978), também era fato que a China não representava influência geopolítica alguma em sua região, quiçá no mundo. Seu parque industrial era obsoleto, e consequentemente seu comercio exterior irrisório. Aspectos capitais para uma nação sobreviver. Deng rompe com o status quo do atrasado, e inicia a era transformadora para China.

Capa da revista Time (1978).

“Não importa se o gato é preto ou branco. O que importa é que ele cace o rato”, uma frase célebre de Xiaoping, que objetiva o rumo que seria tomado naquele momento (1978) pelo país. A reforma conhecida pelo nome de “As Quatro Modernizações” (agricultura, indústria, defesa, ciência e tecnologia) foi delineada em 1975 ainda no governo de Mao, entretanto sua aplicação e evolução, é mérito de Deng Xiaoping.

Para “pegar o rato”, o todo poderoso chinês foi além, radicalizou vários pontos do programa oficializado em 18 de dezembro de 1978:

– Abriu o país para investimento externo;

– Institui a economia de mercado. Nada de preço tabelado, o que vale é oferta e procura;

– Incentivou todas as áreas do conhecimento a aprender com o Ocidente;

– Criou entre outras zonas, o Vale do Silício chinês na cidade de Shenzhen;

– O sistema agrícola deixou de ser maoísta, autorizando a livre iniciativa;

– Desenvolveu o mais rápido que pode a indústria, gerando trabalho especialmente para os migrantes, diminuindo assim a pobreza generalizada.

O desenrolar das decisões de Deng Xiaoping, em 1978, possibilitou a China vislumbrar em 2008, por causa do advento da crise econômica que se abatia nos mercados globais, a oportunidade de se tornar a “fábrica do mundo”, sustentando o consumo ocidental. A China sabia que o capitalismo precisava de novos mercados para investir…

O ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter e o ex-líder chinês Deng Xiaoping (1987).

Resultado de um crescimento econômico, industrial e social sem precedentes (1,3 bilhão de habitantes), consequências negativas eram esperadas para os chineses (e para a estabilidade do poder no mundo), como por exemplo a alta desigualdade social e poluição desenfreada em diversas cidades chinesas. Tanto poder em menos de 40 anos revigorou a vontade de ampliar seus domínios territoriais. Militarmente avança sem cerimônias no Mar da China, ocupando áreas marítimas com a construção de ilhas e mais ilhas militares artificiais.

A China é o fiel da balança nesse século.


Até a semana que vem!

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