Notas de rodapé | Jornal Plural
Clube Kotter
9 set 2020 - 16h55

Notas de rodapé

Anotações feitas enquanto o vírus se espalhava

“O homem está eternamente estabelecendo uma correlação entre si mesmo e o mundo, atormentado pelo anseio de atingir um ideal que se encontra fora dele e de se fundir ao mesmo, um ideal que ele percebe como um tipo de princípio fundamental sentido intuitivamente. Na inatingibilidade de tal fusão, na insuficiência do seu próprio “eu”, encontra-se a fonte perpétua da dor e da insatisfação humanas. Através da imagem, mantém-se uma consciência do infinito: o eterno dentro do finito”, frase além do cinema de Andrei Tarkovski.

A fé no óptico cria uma memória efêmera na sua essência. Instala-se a cultura da visibilidade total como axioma da vida.

“Nasci num monte de ruínas, num mundo de adultos onde ninguém era culpado e não existia nenhuma forma de passado, só de presente e futuro”, disse Wim Wenders.

“Imaginação e observação, a técnica vem depois”, disse Helmut Newton.

Ver corretamente uma fotografia exige múltiplos estudos.

O homem está vivendo muito mais da imagem do que se servindo delas. Idolatria das imagens em detrimento de seus significados.

Momento interno, silêncio veículo de concentração. Esvaziar a mente, não ao nervosismo ou a insegurança. O que o silêncio dirá? O silêncio é a interface do inconsciente.

“Procure trazer à tona as sensações submersas desse passado tão vasto; sua personalidade ganhará firmeza, sua solidão se ampliará e se tornará uma habitação à meia-luz, da qual passa longe o burburinho dos outros”, escreveu Rainer Maria Rilke.

O tempo esvazia o sentido das coisas. Somos no fim um traço de memória.

Porque acreditamos que certas imagens transmitem tristeza e solidão? “Só vemos o que é possível ver. O aparecimento do mundo depende da sua visão particular”, disse Merleau-Ponty.

“Inconsciente – quero dizer que é algo que você não escolhe, a que é submetido. Inconsciente é algo de tom vulcânico, no entanto não se pode fazer nada a respeito e é melhor ser seu amigo, aceitá-lo, e se possível amá-lo, porque será melhor para você, nunca se sabe” escreveu Louise Bourgeois.

“Raros são os que têm pleno equilíbrio. Nossa biografia psicológica, as relações e rotinas de trabalho fazem com que as emoções se inclinem seriamente mais para um lado do que para outro”, de Alain de Botton.

“Pensamentos são nossa única posse garantida. Constituem nossa essência, nosso estar à vontade ou nosso estranhamento com o self. Sua pressão entrelaçada é tamanha que podemos às vezes trabalhar para escondê-los da consciência, silenciá-los internamente por meio daquilo que a psicologia qualifica de amnésia ou repressão” disse George Steiner.


Até a semana que vem!

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