14 nov 2020 - 16h00

Palavras ferem, palavras também edificam

Você tem o direito de expressar sua opinião, sim, mas você está preparado para a reação?

É possível falar horas sobre comunicação usando essa charge de exemplo. E olha que ela já fala tanto…

Esses dias comentava em minhas redes sociais que não devemos nos calar e soltar nossa voz. É meu lema, sim. Mas nesse papo não deixei de reforçar algo importantíssimo sobre ter bom senso.

A comunicação deve ser usada para edificar, não o contrário.

Mas como faz isso, Silvia?

Elogiando, exaltando, ensinando, sendo exemplo.

Ouvi uma frase que me chamou muita a atenção certa vez: “nós só temos o direito de falar bem das pessoas”.

Eu não sei se isso vale para todos os âmbitos, como a política, por exemplo. Enquanto cidadãs e cidadãos precisamos estar atentos ao que é proposto para nossa nação.

Você tem o direito de expressar sua opinião, sim, mas você está preparado para a reação?

Os antigos já diziam: “Quem fala o que quer ouve o que não quer!”

Eu ia ficar muito sem graça se me dissessem pra “prender a língua”, como na ilustração. De repente minha ideia era realmente “ajudar”.

Mas qual foi a real ajuda aí, no caso?

Parece inocente, mas a verdade é que essa é apenas uma das atitudes que ajudam a destruir a nossa autoestima. Um “probleminha” que, com o tempo, pode se tornar algo muito maior.

Existem pessoas que passam a vida toda traumatizadas por algo que ouviram no passado. Um trauma emocional, como a percepção de que a pessoa vale menos que outras, é suficiente para causar uma ansiedade na vida adulta, segundo pesquisa encaminhada pela mestre em Psicologia, Vanessa Fioresi.

Existem tratamentos para abrandar palavras que jamais poderão ser desfeitas, mas o passado ficará sempre registrado. Claro que essa não é minha área e não pretendo me aprofundar, mas o que tento aqui é apenas apontar que há um risco iminente em tudo o que falamos: isso significa responsabilidade.

E para diminuir as consequências dessa fala insensata, que tal aquele desafio de calar-se quando for para criticar sem construção alguma?

É aquisição de cultura mesmo. E precisamos nos apropriar o quanto antes de hábitos saudáveis como este para crescermos mais e fazermos a diferença nesse mundo que anda tão carente de amor, de empatia, de solidariedade.

Falar é uma honra, uma benção do universo para podermos nos comunicar com o outro, expressar nossos sentimentos, nossa admiração, espalharmos nosso conhecimento.

Nossos ouvidos deveriam relaxar, mas estamos o tempo todo nos desgastando para filtrar o que ouvimos. E que bom que existe técnica pra isso!

Mas que tal ajudarmos o mundo com palavras menos duras, mais acolhedoras, propositivas e carinhosas.

  • Não sabe fazer? Então não critique quem fez! Tenha soluções eficazes para sua crítica!
  • Tá ruim? Então tenha certeza de que sabe fazer melhor, faça e ensine como fazer. Compartilhe o seu dom sem arrogância.
  • Seja útil nesse mundo. Não um incômodo.

Pessoas já nascem muitas vezes cheias de problemas, de desafios, muitas vezes carregando uma bagagem que não é delas. Pessoas passam fome na infância, sofrem abusos na adolescência, trabalham desde crianças para sustentar famílias inteiras, se prostituem, adquirem doenças, nascem com deformidades, sofrem bullying, apanham, são humilhadas e assediadas em seus trabalhos, por parceiros, por familiares.

Se essa não é a sua situação, tenha certeza: você é privilegiada!

Mas já existem tantos e tantos problemas nesse mundo: não use sua boca para violentar o próximo.

Solta a tua voz com responsabilidade.

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

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