30 mar 2021 - 9h57

Hoje eu não quero falar com ninguém

E aí você recebe uma demanda qualquer que te leva para uma ação. Quem sabe abrir o computador, procurar um arquivo, ter que enviar para outra pessoa que depois te liga pra dizer que o material estava desconfigurado

Quantas vezes você teve esse desejo?

Talvez não haja uma resposta exata.

Mas falar é uma revelação da alma e isso requer esforço.

Às vezes nossa alma está vazia precisando de direcionamento. E o que preenche essa lacuna é o ouvir.

Mas existem momentos em que ouvir é difícil também. Afinal, a informação nos tira da posição de ignorância do saber, do conhecer. E tudo que recebemos ou ouvimos precisa ser administrado por nós: isso dá trabalho!

Saber que alguém da família não está bem de saúde, descobrir que seu inquilino está com o condomínio atrasado, se deparar com a notícia de que uma amiga especial está de aniversário: tudo requer uma reação nossa. Tudo isso nos movimenta, nos tira da zona de “conforto”.

Durante vários dias nas últimas semanas acordei decidida: “hoje eu não vou falar com ninguém”.

As mensagens de texto, as redes sociais, o e-mail a gente até consegue ignorar. Mas é difícil controlar o telefone tocando: “e se for uma emergência?”, logo pensamos.

E aí você recebe uma demanda qualquer que te leva para uma ação. Quem sabe abrir o computador, procurar um arquivo, ter que enviar para outra pessoa que depois te liga pra dizer que o material estava desconfigurado. E aí você volta para corrigir, nisso o interfone toca e você desce pra receber a correspondência, a movimentação te traz fome e você prepara um café e a vida vai seguindo sem que haja um planejamento e você sequer lembra de que seu objetivo era bem diferente.

É difícil fugir de tudo e de todos mesmo em tempos de pandemia. As pessoas nos acham (incluindo os cobradores).

Essa situação de crise sanitária mundial na qual nos inserimos tem me feito caminhar por territórios inóspitos mentalmente.

Estamos tão fechados dentro da nossa bolha reaprendendo uma rotina a qual fomos direcionados que não conseguimos mais falar com consistência porque, afinal, não estamos ouvindo nada.

“Hoje eu não quero falar com ninguém”, eu pensei pela manhã. E na sequência emendei: “vou ter que falar, mas se eu puder evitar, evitarei” e voltei pra minha bolha.

Mas a vida se encarregou de me chacoalhar e me fazer falar, ouvir, interagir, fazer, e querer falar com pessoas que é algo que eu amo tanto naturalmente.

Eu me arrumei, eu recebi e fiz ligações, eu escrevi. Mas meu plano original era não me comunicar nem comigo mesma.

No entanto, esquecemos o quanto até o silêncio comunica. Tudo o que fazemos (nossas expressões, nossos gestos, nossas atitudes) comunica algo.

O mundo virou uma feira livre eletrônica em que todos querem falar, oferecer seus produtos, mas sem ouvir o que a gente tem a dizer antes.

Quando soltamos a nossa voz todas as coisas se transformam: pro mal ou pro bem.

A nossa boca tem um poder descomunal. Abra-a de diferentes formas, metaforicamente ou não, nem que seja para revelar: “hoje eu decidi não falar com ninguém”

Isso pode mudar tudo!

#SoltaTuaVoz 


Para ir além

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