Dia 56 - Todos os homens do presidente | Jornal Plural
21 maio 2020 - 15h50

Dia 56 – Todos os homens do presidente

Você já prestou atenção nas influências do presidente? Uma pessoa é a média de todas as suas influências

Meus professores sempre me disseram para prestar muita atenção nas influências dos meus ídolos. Não sei se em outro momento da minha vida eu teria topado com a obra e a voz de Joni Mitchell, por exemplo, se não tivesse escutado a versão do Renato Russo primeiro. Uma pessoa é a média de todas as suas influências.

Hoje não escuto muito, mas na minha adolescência eu era muito fã de Legião Urbana. Os dois Renatos ainda eram vivos, o país era diferente e ninguém podia prever o que viria. No Acústico MTV da banda, lançado em uma época em que o acústico MTV tinha uma proposta de ser mesmo uma apresentação acústica, foi que conheci algumas das minhas músicas favoritas até hoje.

Que não são da Legião Urbana. São regravações de outras bandas, mas só conheci porque era fã de Legião. São músicas que Renato Russo ouvia.

Você já prestou atenção nas influências do presidente?

O principal deles, Olavo de Carvalho, um autoproclamado filósofo que acredita que o Sol gira em torno da Terra, que a Pepsi usa células de fetos abortados como adoçante do refrigerante e que aparentemente é preciso muito pouco para ser filósofo hoje em dia.

Donald Trump, o amigo imaginário de Bolsonaro, o ricaço racista que demostra nojo da América Latina, é admiradíssimo por nosso presidente.

E, de longe o pior de todos, aquele que Bolsonaro homenageou em seu voto pelo impeachment de Dilma: Carlos Brilhante Ustra, o torturador que enfiava ratos em vaginas de mulheres e torturava os pais na frente dos filhos, entre outros igualmente repugnantes itens em um gigante menu de atrocidades.

O criminoso, o burro e o louco: a trindade que compõe o caráter presidencial.

Nessa semana, mais um brilhantismo ético que demonstra seu interesse em trabalhar por todos os brasileiros: quem é de direita toma cloroquina, quem é de esquerda toma tubaína. Ou seja, um doente (de covid) que ainda o apoia deve provar esse apoio aceitando usar um medicamento sem comprovação de eficácia e que pode, inclusive, piorar a situação do paciente.

Essa é a importância que ele dá a seus aliados. Quem não o apoia importa ainda menos. Mas dava mesmo para esperar algo diferente de alguém com essas influências?

As coisas precisam ser chamadas pelo nome certo. E nesse caso não há outra palavra: temos um psicopata na Presidência da República. Um psicopata adorador de idiotas, um fã de torturadores, um patriota disposto a lamber os pés do presidente americano.

A única forma de achatar a curva é impedindo Bolsonaro de prosseguir no governo antes que o país entre em colapso, se é que ainda dá tempo.

Já são 24 anos desde a morte de Renato Russo, mas parece que eu só pisquei. Foi ontem. Bolsonaro está no governo desde janeiro de 2019, mas parece que já são oitocentos anos.

O tempo passa muito devagar na Idade Média.

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

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