Dia 21 – O filme | Jornal Plural
13 abr 2020 - 20h16

Dia 21 – O filme

Muito bom mudar de ares um pouco, deixar de falar tanto sobre política

Hoje não vou falar sobre política. Vou aproveitar esse espaço para atacar de crítico de cinema, sempre quis ser um desses.

No fim de semana a Netflix, toda espertinha, me sugeriu assistir Epidemia. Lembro que já tinha visto quando era muito jovem e gostei muito. Decidi ver novamente, claro. Filme antigo, mas super atual. E com o Morgan Freeman, o que já é um indicativo de que alguém ia tentar combater a epidemia só ignorando sua existência.

Sinopse curtinha: um vírus proveniente de um macaco retirado da floresta para tráfico de animais acaba contaminando algumas pessoas. A doença causada por esse vírus tem uma altíssima taxa de letalidade e se prolifera muito facilmente. Em poucos dias se espalha pelo planeta.

O Morgan Freeman é um generalzão do exército que sabe de um segredo muito podre: no passado, os militares já tinham visto esse vírus surgir, e a solução foi soltar uma bomba sobre a aldeia em que o surto acontecia. Morreu todo mundo, o vírus também.

Aí tem outro generalzão lá, não lembro o nome, o pai do Jack Bauer. Esse é bicho ruim. Quer matar, matar. Ele também sabe do segredo e quer resolver do mesmo jeito, na base da bomba, o sujeito não tem pena. Aí o cientista diz que não adianta matar ninguém, o vírus já se espalhou, ele fica mais pistola ainda e quer matar o cientista também.

Depois de toda uma aventura o cientista consegue uma vacina que vai salvar todo mundo, óbvio, e o generalzão ruim continua querendo matar, só porque foi contrariado. Tem até perseguição de helicóptero.

Filme muito ruim. Zero semelhança com a verdade.

Na vida real, creio eu, para chegar a ser general do exército a pessoa tem que ter algum grau de controle mental, algum balanço psicológico, alguma capacidade de aceitar ser contrariado, repensar seu posicionamento, defender suas ideias sem precisar necessariamente de bombas para provar seus argumentos.

Alguém com uma postura como essa, autoritária, incapaz de ouvir um não sem ficar todo putinho, ameaçar matar, demitir, gritar que quem manda é ele, preparar sabotagens contra o próprio grupo, no mínimo já teria sido expulso do exército muito tempo antes.

Impossível prever o que aconteceria com um desequilibrado desses.

Filme médio, odiei, nota nove.

Taí, minha primeira crítica de cinema. Muito bom mudar de ares um pouco, deixar de falar tanto sobre política. Talvez na próxima coluna eu fale sobre gastronomia. Receita de um bolo de laranja, quem sabe?

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

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