Toy Story e sua música: o que vale é o conjunto da obra | Plural
25 jun 2019 - 21h16

Toy Story e sua música: o que vale é o conjunto da obra

Para Daniel Derevecki, apesar de Randy Newman assinar a trilha sonora, falta uma grande canção no filme atual

Quase uma década depois do encerramento da trilogia de Woody, Buzz e da galera do quarto do Andy, fãs do mundo todo voltam aos cinemas para um quarto filme da franquia Toy Story. Novamente a música ficou a cargo de Randy Newman, autor das trilhas sonoras dos três filmes anteriores. Vencedor do Oscar de Melhor Canção Original em 2011 (com “We Belong Together”, de Toy Story 3) e de 2002 (com “If I Didn’t Have You”, de Monstros S.A), Newman é um gigante da composição para cinema, especializado em animações.

Quem assistiu aos outros filmes da franquia certamente se lembra da abertura do primeiro Toy Story, com o menino Andy soltando o boneco Woody pelo corrimão da escada ao som de “You’ve Got a Friend in Me” (“Amigo Estou Aqui”); emocionou-se quando Jessie contou a história de sua criança cantando “When She Loved Me”; chorou durante a despedida de Andy e Woody, quando o garoto, já crescido, foi embora para a faculdade, deixando os velhos brinquedos para a menina Bonnie. Naquele momento não há uma canção, mas sim uma trilha sonora instrumental impecável. Foi o final mais marcante de todos os três filmes e serviu para coroar uma história e uma trilha que surgiram destinadas à grandeza. É impossível ver aquela sequência e não se emocionar. Se você é pai ou mãe e assistiu a isso tudo que descrevi e não sentiu pelo menos uma coceira nos olhos, procure tratamento, você tem problemas.

Quando eu soube que Toy Story 4 estava em produção e que Newman seria o compositor, imaginei que, mais uma vez, ouviria uma trilha de emocionar. Mas a realidade não foi exatamente essa. Falta uma grande canção no filme atual. Existe, sim, uma nova música para Woody, “The Ballad of the Lonesome Cowboy”, mas ela tem uma estética de faroeste e aparece só nos créditos finais. Tem tudo a ver com a ideia do vaqueiro que estava sozinho até encontrar seu caminho, mas ainda assim não chega perto das outras canções que a franquia eternizou. Também os temas instrumentais, apesar de muito bem escritos e de fazerem citações às trilhas anteriores, não foram tão bem-sucedidos como a música do final do filme 3, que mencionei no parágrafo anterior.

Por quê?

Será que Newman perdeu a mão e não deu conta do recado? Claro que não, ele continua sendo uma referência, a história do filme é que não ajudou. Reside aí um aspecto muito importante e que denota a grande proximidade entre a música e o cinema, porque ambos são artes temporais, ou seja: ocorrem dentro de uma linha temporal definida.

No aspecto da apreciação, música e cinema diferem das artes visuais, cuja leitura da obra acontece no tempo que o interlocutor quiser. Se você visitar uma exposição e decidir ficar por horas observando uma única obra não há problema algum, porque a leitura será sua e de mais ninguém. Contudo, numa sala de cinema ou em uma casa de espetáculos o tempo de apreciação da obra será definido pelo diretor e pelo compositor, não cabendo ao público interferir.  Partindo desse pressuposto, se a história for boa e o roteiro fizer sentido a música terá tudo para dar certo também.

Mas façamos justiça: Toy Story deve ser julgado pelo conjunto dos quatro filmes e não apenas por este último. Levando em conta tudo o que a animação e sua música representam para o cinema mundial, certamente é uma das histórias mais emocionantes já contadas e Randy Newman tem uma contribuição essencial nisso tudo, afinal de contas não é todo dia que nasce uma canção como “Amigo Estou Aqui”.

 

Para ir além

Minha versão voz e violão de “Amigo Estou Aqui”

https://youtu.be/RFspFvMh5mg

“The Ballad of the Lonesome Cowboy”

https://www.youtube.com/watch?v=i0v3If6pirI

Trilha sonora completa de Toy Story 4

https://www.youtube.com/playlist?list=PLiNVoBckLqLkuYqtb6YCaZXzCpt-X5Qht

 

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