Coisa Mais Linda retornará à Netflix em junho com mais música brasileira | Jornal Plural
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20 maio 2020 - 19h49

Coisa Mais Linda retornará à Netflix em junho com mais música brasileira

É de se esperar boas coisas dessa série em termos musicais, a julgar pela riqueza do repertório da época retratada e pelo que já se ouviu na primeira temporada

Os anos 1960 crescem aos olhos e se intensificam aos ouvidos de quem gosta da música brasileira. Foi naquela década que a bossa nova se consolidou no mercado internacional, Chico Buarque ganhou o Brasil com “A Banda”, Sérgio Ricardo tocou o violão contra a platéia no Festival da Record, o Tropicalismo agitou as bases com a guitarra elétrica, o iê-iê-iê fez a turma balançar as cadeiras e a juventude protestou cantando a Marselhesa Brasileira, “Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores”, de Geraldo Vandré.

É com esse fundo musical que retornará ao streaming, no dia 19 do mês que vem, a série brasileira Coisa Mais Linda, que conta a história de uma jovem paulista, de família quatrocentona, que larga tudo e vai para o Rio de Janeiro abrir um clube de música, a exemplo das boates americanas que fizeram o jazz cair no gosto popular. Tendo o surgimento da bossa nova, em 1958, como fio condutor, a trilha sonora da série apresenta clássicos da música brasileira do período, mostra a efervescência das rodas de samba nos morros, debate o mercado do disco, com as maladragens das gravadores e desnuda a podridão das famílias endinheiradas da zona sul carioca, que exploram a mão de obra dos negros como se a lei áurea fosse apenas sugestão.

A primeira temporada terminou com um final dramático, exatamente na virada do ano de 1959 para 60. Creio que podemos esperar boas coisas dessa série em termos musicais, a julgar pela riqueza do repertório da época retratada e pelo que já se ouviu na primeira temporada. Faço apenas uma ressalva: a produção peca no realismo quando se propõe a retratar a execução musical. Já falei disso algumas vezes e reitero: está mais do que na hora do audiovisual acordar e fazer a lição de casa, o que, vamos combinar, não é muito difícil. Bastaria um cuidado maior em buscar a consultoria de músicos que realmente toquem os instrumentos que são utilizados nas cenas, para orientar melhor os atores e ajudar os diretores a extrair o melhor do elenco. Diretor e ator não têm a obrigação de saber tocar, mas têm a obrigação de saber perguntar.

Para ir além

  • O disco de Chico Buarque, com “A Banda”, lançado em 1966:
  • Sérgio Ricardo quebrando o violão, em 1967:
  • Geraldo Vandré no III FIC, em 1968, cantando “Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores”:
Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

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