"Cobra Kai" tem o som da década de 80 | Jornal Plural
Clube Kotter
3 set 2020 - 20h34

“Cobra Kai” tem o som da década de 80

A trilha sonora, composta por Leo Birenberg e Zach Robinson, é impecável, não tem exageros orquestrais e nem minimalistas, está na medida certa para o produto

Fiquei surpreso com a série Cobra Kai, que estreou no catálogo da Netflix e traz de volta a rivalidade entre Daniel LaRusso (Ralph Macchio) e Johnny Lawrence (William Zabka). É como se você estivesse por aí e, do nada, desse de cara com um amigo e um desafeto dos tempos de escola. Confesso que, de imediato, tive um certo receio, porque mantenho os dois pés atrás quando se trata de revirar o passado para dar novos contornos àquelas sagas consagradas, mas no final…

Música

Cobra Kai arrebenta nas escolhas musicais. A trilha sonora, composta por Leo Birenberg e Zach Robinson, é impecável, não tem exageros orquestrais e nem minimalistas, está na medida certa para o produto. Os compositores resgatam algumas ideias das partituras escritas por Bill Conti para o filme original, de 1984, e revitalizam outras. A nova trilha se encaixa perfeitamente à forma com que Daniel e Jhonny amadureceram. O primeiro, treinado na sabedoria do altruísta Senhor Miyagi, vivido pelo saudoso Pet Morita (1932-2005), está casado, com dois filhos e uma família estruturada, aproveitando o sucesso de sua rede de concessionárias especializada em carros de luxo. O outro encontra-se numa situação totalmente oposta, vive ferrado financeira e emocionalmente, ganha o sustento a base de bicos, mora sozinho em um apartamento fétido, bebe o tempo todo e não tem perspectiva. Fica claro que a filosofia egoísta aprendida com John Kreese (Martin Kove), fundador do Cobra Kai, o levou ao fundo do poço.

A música composta para esses dois lutadores é sutil ao revelar a que tempo da vida cada um está ligado. Daniel é um homem moderno e atualizado, assim, os temas musicais relacionados a ele têm um aspecto contemporâneo na escolha dos timbres. Em contraponto, Jhonny está preso ao passado, sem saber sequer como se liga um computador, do que se trata um perfil no Facebook, ou ainda, como usar um aplicativo de relacionamento. Sua vida resume-se a remoer o chute na cara que tomou no final do torneio de karatê três décadas antes. A música, para ele, tem uma carga estilística que remete ao bad boy de outrora, privilegiando muitos timbres de sintetizadores analógicos e uma farta e bem escolhida setagem de pedais nas guitarras.    

Canções

Como toda produção de respeito, a seleção de canções também ajuda a contar a história. Clássicos do rock não faltam, bem como referências às bandas da época. No entanto, este farto ferramental sonoro só faz sentido porque a narrativa é interessante. Apesar de estar enraizada, quase que na totalidade, no primeiro Karatê Kid, não deixa pontas soltas e, principalmente, não procura rever o passado, apenas dá novos significados a tudo o que aconteceu e propõe a ideia de uma segunda chance.

Por conta dos episódios terem duração média de 30 minutos, fica fácil de maratonar as duas temporadas que estão disponíveis. O episódio final deixa um ambiente de tensão no ar e mostra que a franquia Karatê Kid cresceu, tanto em escala quanto no grau de complexidade dos conflitos. Dica importante: ouça o tema musical que toca nos créditos finais do último episódio, para apreciar um solo de guitarra com distorção que vale cada compasso.   

Se você, por obra do acaso, esteve ausente nos últimos trinta e poucos anos e ainda não assistiu ao filme original de Karatê Kid, recomendo que o faça, porque isso vai ajudar a aproveitar ao máximo o que a série tem a oferecer em termos de diversão, drama e nostalgia. No mais, respire, esfregue o chão, pinte a cerca e lustre o carro, coisas básicas para um atleta treinado no Karatê Miyagi-Do

Para ir além

Trailer oficial de Cobra Kai

Trilha sonora da série

Primeira temporada:

Segunda temporada:

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

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