12 nov 2021 - 9h08

É preciso levar a educação a sério

Cotas raciais não resolvem o problema daqueles 75% que estão entre os 10% mais pobres do Brasil! Pois sem acesso a uma educação de qualidade, não terão preparo suficiente para acessar esses cargos

Eu acredito num país com oportunidades para todos! Acredito na educação como ferramenta de transformação de vidas, de mobilidade social e de geração de riqueza!

Infelizmente, no Brasil, nossos governantes têm o costume de olhar para a educação com desprezo. Prova disso é o último exame do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) aplicado em 2018, em que o Brasil ocupou a posição 57 entre 79 países participantes!

Esse dado por si só já revela a importância que damos para educação em nosso país! E isso fica ainda pior se isolarmos os dados referentes aos alunos das escolas públicas e privadas! O abismo existente é desesperador!

O resultado dos alunos das escolas privadas, isoladamente, coloca o Brasil na 5.ª posição, ao lado da Suíça, enquanto o resultado isolado dos alunos das escolas públicas coloca o Brasil ainda mais para o final do ranking, na posição 65 de 79 países!

Como falar em igualdade de oportunidades quando não oferecemos o mínimo para aqueles alunos, em sua maioria de baixa renda, que são reféns da educação pública brasileira?

E quem são as pessoas que dependem da educação oferecida pelo governo? Pesquisa feita pelo IBGE em 2019, denominada “Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil”, revela que entre os 10% mais pobres do Brasil, aproximadamente 75% são pretos e pardos!

Tramita na Câmara Municipal de Curitiba um projeto que visa instituir cotas raciais para os concursos públicos municipais. O objetivo do projeto, segundo a autora, é garantir acesso à população negra, com a qual teríamos uma dívida histórica, em todos os cargos e níveis hierárquicos do serviço público municipal.

Porém, cotas raciais não resolvem o problema daqueles 75% que estão entre os 10% mais pobres do Brasil! Pois sem acesso a uma educação de qualidade, não terão preparo suficiente para acessar esses cargos. Submeter a população mais carente, durante décadas, a um ensino de péssima qualidade, isso sim gera uma dívida histórica! Gerações e gerações ficarão, em sua maioria, fadadas à pobreza, sem oportunidades e sem mobilidade social se não quebrarmos o ciclo da pobreza!

Estudos feitos pelo economista americano Thomas Sowell, revelam que nos países onde cotas raciais/étnicas foram adotadas, a renda média da população pertencente à raça/etnia beneficiada com o programa de cotas não aumentou! Provando que apenas os mais ricos, e portanto melhor preparados, conseguiram acessar as vagas.

Não podemos cometer esse mesmo erro aqui em Curitiba! Por esta razão sugeri que o projeto de cotas raciais passe a usar o critério de renda e beneficie alunos egressos da escola pública.

Acredito que essa seja a melhor forma de beneficiar quem realmente precisa, independente da cor da pele, não beneficiar pessoas que vem de famílias mais ricas, independente da cor da pele, e oferecer uma oportunidade real de quebra do ciclo da pobreza!

Importante lembrar que o programa de cotas deve ter um caráter temporário! Ele não pode ser uma solução paliativa.  Precisamos urgentemente resolver um problema muito maior, e anterior a esse, que é melhorar a qualidade da educação oferecida para as pessoas que dependem da escola pública no Brasil!

Enquanto não levarmos a educação a sério, estaremos buscando artifícios para tentar corrigir a incompetência estatal em prover o básico para seus cidadãos!

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

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