10 fev 2021 - 1h15

A nova política é uma mulher

Ainda não podemos dizer que a sociedade mudou. Estamos escondidas no meio da lista de votação, majoritariamente formada por homens

Uma revolução lenta, porém com passos firmes, ocorre na política de Curitiba. De 2016, minha primeira candidatura à Câmara de Curitiba, para 2020, quando fui reeleita, o número de mulheres atuantes em causas como os direitos humanos, direitos da mulher, combate à violência, cicloativismo, cresceu muito. Não fiz um levantamento concreto, mas acompanhei parceiras de mobilização em busca deste espaço de poder.

Nenhuma é minha concorrente. Pelo contrário, muitas delas estiveram em meu gabinete, ou eu estive em eventos com elas durante o primeiro mandato. Mulheres como Roberta Ciblin, Ana Julia, Camila Gonda, Flávia Sottomaior. Votações expressivas, campanhas relevantes, debate fundamental.

E a votação das eleitas, a começar por Indiara Barbosa – que tem uma pauta mais liberal, porém com seu espaço – a campeã de votos entre todos os candidatos (as) a vereador, marca essa pequena revolução. Porém não aumentamos a bancada, mesmo com a renovação.

Sou uma mulher branca, que teve condições boas de educação, moradia, e resolveu entrar nessa por estar cansada de me manifestar sem sentir que estava fazendo algo a mais. Gosto dos movimentos sociais, defendo e quero fortalecê-los com meu mandato. Mas resolvi me candidatar em 2016 por entender que devemos ocupar os espaços de poder. Legislativo, Executivo, cargos de comando no Judiciário são onde as mudanças na sociedade podem ser feitas de fato. Com a ajuda da pressão popular, fundamental, mas esses lugares são nossos e passou da hora de ocuparmos efetivamente nossa metade, ou mais.

Ainda não podemos dizer que a sociedade mudou. Estamos escondidas no meio da lista de votação, majoritariamente formada por homens. As razões são conhecidas: tradicionalmente, para as mulheres é menos acessível deixar seus lares, dedicar tempo extra para atividades políticas. Mas temos uma característica que é a mesma que nos faz sermos boas mães, companheiras, amigas: amor.

Temos muito amor. Para fazer política é preciso essa paixão pelas pessoas, pela sociedade, essa sensibilidade no olhar, aprendendo ser mais dura no discurso para poder enfrentar o assédio moral, a violência verbal e psicológica.

Por este e outros motivos que pretendo apresentar aqui nesta coluna, acredito que a nova política é uma mulher. É você.


A coluna PoliticAS reúne semanalmente, em formato de rodízio, textos das vereadoras eleitas de Curitiba.

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

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