17 dez 2021 - 8h30

A luta avança

Primeiro ano de mandato da primeira vereadora negra de Curitiba traz avanços e conquistas de uma luta de gerações

O ano de 2021 começou com um acontecimento inédito na história de Curitiba: pela primeira vez em 328 anos, uma mulher negra foi empossada vereadora na capital do Paraná. Chegando ao final deste primeiro ano de mandato, os avanços que conquistamos provam que a nossa eleição não foi um acaso, mas sim um dos resultados de muita luta e trabalho ao longo de gerações.

Aprovamos, com ampla maioria de votos, o nosso projeto que institui a política afirmativa de cotas étnico-raciais para a população negra e povos indígenas nos concursos públicos municipais. Uma vitória incrível, capaz de combater o racismo estrutural e institucional, além de compensar a dívida histórica deste país e desta cidade com a população negra e os povos originários.

Por meio da nossa atuação parlamentar, provocamos o município a, finalmente, apresentar para aprovação da Câmara Municipal o primeiro Plano Municipal de Promoção da Igualdade Étnico-Racial. Além disso, melhoramos o texto enviado pela prefeitura. Incluímos e aprovamos o eixo de habitação, fundamental para que o plano seja efetivo no enfrentamento das desigualdades.

Na discussão do projeto que define o planejamento da cidade para os próximos quatro anos, mais um avanço importante. Em um trabalho realizado com outros vereadores de oposição, acrescentamos 21 metas sociais que não estavam previstas no texto elaborado pela prefeitura.

A aprovação das nossas propostas contempla áreas como a promoção da igualdade racial, formação sobre Direitos Humanos para a Guarda Municipal, acesso à cidade, cultura popular, combate à violência contra as mulheres, moradia popular, reforma de unidades de saúde, segurança alimentar e população em situação de rua.

Neste mês de dezembro, mais uma vez, a atuação deste mandato fez a diferença. Colocamos no orçamento público do município para o próximo ano a reserva de recursos para diversas iniciativas que consideramos estratégicas para a construção de uma cidade de todas e todas, mas que não estavam contempladas na proposta original do governo municipal.

As nossas propostas vão atender 37 projetos e instituições de pelo menos 15 áreas, como combate a violência contra as mulheres, população em situação de rua, migrantes e refugiados, combate ao racismo, assistência social, educação, crianças, adolescentes e jovens, população LGBTQIA+, causas populares, meio ambiente, inclusão social, saúde e cultura.

Todos esses avanços protagonizados pelo mandato de uma mulher negra, vereadora de oposição, não são um fenômeno, ou um acaso, mas consequência do trabalho de inúmeras pessoas que buscam uma sociedade justa e igualitária. Assim, esse mandato é fruto de muito trabalho e militância, construidos há muito tempo pelo movimento de mulheres, pelo movimeno negro, pelo campo progresista.

Importante considerar também que vivemos um momento político em que há uma maior consciência sobre a necessidade de que a diversidade da população brasileira esteja de fato representada nos espaços de poder e decisão. Ainda estamos muito distantes do ideal, mas uma mudança está acontecendo, e nós somos parte dela.

Tudo o que já conquistamos é, portanto, prova de que a luta avança sim, e estamos avançando. Isso é inegável! Não estamos no mesmo lugar de ontem e não estaremos no mesmo lugar amanhã. Em 2022, continuaremos a escrever uma nova história!

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

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