Se não for explicitamente proibido é obviamente permitido | Plural
2 jul 2019 - 8h00

Se não for explicitamente proibido é obviamente permitido

Jac Fressatto defende que o ser humano deve manter a mente aberta para inovar

De todos os eventos sociais em nossa história como seres evoluídos, o fato de irmos para uma sociedade produtora, deixando de ser apenas caçadores e coletores, considero a maior de todas as nossas evoluções.

Com este movimento, passamos a produzir nossos suprimentos. Não mais dependíamos dos “fortes” ou dos “mais capazes”. Absolutamente qualquer ser humano, usando sua inteligência natural, poderia aprender a cultivar e manufaturar seu alimento e seus suprimentos para superar as intempéries naturais.

Mas a partir disso, dominando e aprendendo novas técnicas de manufatura dos elementos naturais e não apenas os grãos e frutas, passamos a produzir muitos outros artefatos; a maior parte com foco na força, pervertendo de novo o conceito do “compartilhado” e do “social”, voltando a prevalecer o “poder”.

Um personagem que sempre existiu em todos os momentos, seja o período de caça e coleta, o da produção e durante toda a nossa história, foi o FEITICEIRO. Gurus com poder de fazer aquilo que ninguém mais faria, com uma capacidade diferenciada de provocar o desconhecido a surgir e maravilhosamente funcionar.

Aqueles homens e mulheres tinham o poder de fazer a luz, curar as dores e brotar os grãos.

Eram os servos e amigos diretos dos deuses.

Na sua maior parte, não eram líderes políticos de suas comunidades, mas foram os líderes naturais de grandes e significativos movimentos, que levavam esses grupos a uma evolução até então desconhecida.

Se vasculharmos os antigos escritos, de todas as culturas, encontraremos diversas e bem nutridas referências a esses personagens poderosos.

Dali a humanidade deu um salto: passou a dominar o abstrato.

As ciências, então ocultas, passaram a ser registradas e repassadas, ganharam nomes como Matemática, Química, Física, Medicina e outras.

Os então FEITICEIROS deixaram de existir e ou (talvez) apenas de terem suas histórias contadas e documentadas.

Com o prevalecimento do poder ideológico da religião, estes personagens foram “amaldiçoados”, passando a fazer parte dos contos subversivos de poder e conquistas, ficando às margens do mal ou do quase mal.

Poucos tiveram coragem de transformá-los em heróis ou dar a esse personagem a razão não só da sabedoria, mas principalmente da então capacidade mágica de mudar a história de seu povo, de sua sociedade.

Entretanto, mesmo na presente era hipócrita e elegantemente dependente da força dos “produtores”, surgiu um FEITICEIRO que revolucionou a história tecnológica atual.

O Feiticeiro de Menlo Park (The Wizard of Menlo Park), como era conhecido, foi um dos primeiros a aplicar os princípios da produção maciça ao processo da invenção.

Um americano de Ohio, filho de comerciante e de uma professora, o mais novo de oito irmãos, desistiu da escola convencional, pois já cedo mostrava uma singular capacidade de aprender e entender sozinho quase todos os assuntos didáticos e aqueles não tão didáticos assim. Ainda adolescente, já trabalhava em diferentes profissões para entender sobre os relacionamentos de negócios; e aos 20 e poucos anos vendeu uma de suas primeiras patentes por 40 mil dólares.

Difícil dizer qual foi sua maior invenção. Em toda sua vida produtiva, registrou 2.332 patentes.

Mas a que o tornou mais conhecido na história, não foi uma invenção própria.

Esse feiticeiro, apropriando-se de suas capacidades financeiras, sua experiência como homem de negócios e de produtos, usando sua destreza como um então velho sábio, em 1879 patenteou, nos EUA, a primeira lâmpada incandescente de filamento fino de carvão a vácuo comercializável.

Sim, estou falando de Thomas Edison, o homem moderno que trouxe luz a todos os demais inventos tecnológicos que foram desenvolvidos pela humanidade depois deste “lançamento” comercial.

E friso de novo que ele se tornou conhecido por gerar um registro de produto que não foi ele quem criou. Desde o início do século XIX, vários inventores tentaram construir fontes de luz à base de energia elétrica. Humphry Davy, em 1802, construiu a primeira fonte luminosa com um filamento de platina. Outros vinte e um inventores construíram lâmpadas incandescentes antes do Feiticeiro Thomas registrar um produto capaz de ser vendido em unidades independentes.

Seu maior invento foi conseguir simplificar o produto para ser industrializável e vendável em unidades acessíveis.

Isso mudou o comportamento de muitas pessoas e negócios.

A indústria conheceu um novo recurso, que permitiu desde a extensão das horas de trabalho até a construção de diferentes e novos equipamentos eletrônicos que usavam a lógica da lâmpada para seu funcionamento.

As pessoas passaram a ter suas horas produtivas e de estudo alteradas.

As cidades passaram a existir e funcionar no período da noite.

Literalmente este FEITICEIRO trouxe luz para a humanidade na escuridão da inovação.

Thomas e outros geniais como ele não fizeram isso a partir de um planejamento de construir ou gerar soluções inovadoras.

Eles simplesmente eram inovadores por natureza. Inquietos e autodidatas.

Isso significa que nós outros mortais somos dispensáveis e nunca seremos inovadores ou solucionadores?

NÃO. Somos naturalmente desobedientes e inquietos. Mudamos esta natureza por conta de nossos tratados sociais.

Assim como os feiticeiros, os inovadores, os criativos modernos… precisamos permitir que nossa mente inquieta tenha audiência.

Escreva e fale sobre suas ideias.

Resolva problemas que não são seus.

Foque em soluções simples, democráticas, disruptivas, digitais (não mandatoriamente), desmonetizadas e desmaterializadas.

Mas nunca permita que sua mente não seja ansiosa em gerar soluções.

Portanto SER HUMANO, livre, conectado e inovador. Este é um mantra pra mim: se algo não for explicitamente proibido, é obviamente permitido.

Logo, vá e FAÇA!

 

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