Qual a senha do Wi-Fi neste cortiço? | Plural
16 set 2019 - 21h26

Qual a senha do Wi-Fi neste cortiço?

Dos 500 computadores mais poderosos do mundo, dois são brasileiros. Sabia?

Tenho observado o quanto as pessoas navegam em suas percepções negativas e equivocadas sobre questões factuais, mas fora de sua zona de interesse.

Isso não é algo que acontece exclusivamente com os brasileiros. Todo o mundo tem seu grau de desvalorização cultural ou nacionalista.

Não sou nenhum especialista em literatura e nem me atrevo em ser um crítico ou comentarista sobre obras brasileiras.

Mas gosto especialmente da obra “O Cortiço”, de Aluísio de Azevedo.

Navegar neste micro/macro universo que ele criou em volta do cortiço e da vivência/experiência dos personagens, principalmente considerando que o personagem principal é o próprio cortiço, é de verdade uma das mais claras percepções sobre a construção cultural que nosso país passou num determinado momento da história e que perdura até os nossos dias.

Politicamente, a obra mostra como um personagem se desloca de um simples comerciante aproveitador para um clássico homem da nobreza, ocupando inclusive cargo público de alto nível ao final da obra.

Socialmente, somos surpreendidos pelos motivos que uma das personagens tem em sua insistente tentativa de engravidar: tornar-se ama de leite para as classes mais abastadas, sem nenhuma preocupação com o futuro de sua provocada prole.

Muitos pontos de vista podem ser provocados pelo cortiço, mas especialmente como está presente a falta de consideração pelo “o que é nosso” me impressiona.

Assim como todos os personagens apenas “passaram” pelo cortiço, inclusive seu suposto dono, muitas pessoas apenas passam por suas terras, por seu país.

Não estou falando de patriotismo assoberbado, mas de valoração pelo que é nosso e aqui foi construído.

Vejam um exemplo que é desconhecido pela maior parte de nossos compatriotas:

De todos os mais poderosos supercomputadores do mundo, os dois mais potentes da América Latina são brasileiros.

O supercomputador Fênix, da Petrobras, foi listado entre os 500 maiores do mundo e é o maior da América Latina. A lista da organização Top500.org coloca o Fênix na 142º posição. O ranking é montado de acordo com a performance da capacidade de processamento de dados das máquinas.

O computador conta com 55.296 gigabytes de memória e Central Processing Unit (CPU) com 48.384 núcleos de processamento. Foi feito pelo fabricante multinacional de origem francesa Bull para dobrar a capacidade de processamento de dados geofísicos da Petrobras.

O supercomputador Santos Dumont é o outro considerado mais potente da América Latina e funciona no Laboratório Nacional de Computação Científica, em Petrópolis (RJ), processando dados de estudos sobre o vírus zika, mal de Alzheimer e camada pré-sal.

A máquina é composta por 18.144 núcleos de processadores Intel Xeon E5–2695v2 de 2,4 GHz, divididos em 756 nós de computação, que estão interligados para formar o supercomputador de 380 metros quadrados. Cada nó possui 64 GB de memória DDR3, resultando em pouco mais de 47 TB de RAM, e alguns deles são especializados em certas tarefas, contando também com chips gráficos Nvidia Tesla K40 e coprocessadores Xeon Phi.

Temos muitas outras singularidades que poderíamos ficar horas descrevendo e nos embriagando em orgulho. Mas a tendência dos primitivos moradores do cortiço impera em nosso DNA, fazendo com que – mesmo se não reclamamos de muita coisa – nos calamos quando poderíamos promover.

Eu quis falar sobre os supercomputadores porque conheci seu funcionamento e sua singular capacidade de colaborar com os pesquisadores e cientistas que os utilizam para seus trabalhos singularmente complicados. No Brasil, existe um parque com vários supercomputadores espalhados em território nacional, todos gerenciados pelo MCTIC (Ministério da Ciência e tecnologia da Informação e Comunicação) e utilizados em pesquisas de padrão internacional.

Sócrates registrou em sua obra que “uma vida sem ciência, é um tipo de morte”.

Sabermos que somos geradores de ciência e pesquisa de ponta, nos traz um forte consolo de que estamos caminhando em direção a prosperidade que é proeminente dos países que investem no futuro. Orgulhar-nos disso e acompanharmos os progressos nacionais é nossa forma de incentivar e investir nesse futuro promissor para nossos filhos e netos.

E você SER HUMANO, livre, conectado e inovador, tentará investir em nosso país e apoiar o que estamos fazendo ou prefere ver o cortiço pegar fogo enquanto briga apenas em conseguir a senha do WI-FI?

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