Na capa deste livro, todo o amor do mundo | Plural
9 maio 2019 - 10h00

Na capa deste livro, todo o amor do mundo

Há muitos anos aprendi que não se compra um livro apenas pela capa. Mas não há como negar que a capa pode ter um peso,…

Há muitos anos aprendi que não se compra um livro apenas pela capa. Mas não há como negar que a capa pode ter um peso, ainda que pequeno, na nossa decisão de levar o livro para casa.

Depois de tantos anos mergulhado em livrarias, aprendi mais uma coisa sobre leitura: que a editora que publicou a obra é uma referência importante. Ainda assim, a indicação feita por alguém próximo de nós é o principal motivo por trás da nossa decisão de comprar um determinado livro.

Era o mês de junho de 2016. Um amigo me telefona e me diz: “Vá até a livraria mais próxima e compre este livro. Você logo vai reconhecer porque tem na capa a imagem de um coração cheio de arroz.”

Lá fui eu para a livraria.  Livro na mão, conferi: editora excelente (Record), título do livro muito instigante (O Arroz de Palma) e a capa simplesmente maravilhosa. É um presente para os olhos.

O Arroz de Palma é um romance cheio de lições para nossas vidas. Fala sobre amor, família, amizade e dedicação. Fala sobre imigrantes portugueses e suas relações familiares.

Folheando o exemplar que ainda guardo, encontrei algumas frases que marquei. São frases mágicas:

“Dizia que ‘solteira’ não era estado civil, era estado de graça.”

“Daí me dei conta de que Deus pôs a beleza do sol nos extremos. Nascendo ou morrendo. O sol do meio-termo, do meio-dia, não é para ser admirado. Nem sequer podemos olhar para ele.”

“Palavra machuca, deixa marca. Palavra mata. Palavra deveria ficar guardada bem no fundo, no alto dos armários. Longe do alcance das crianças. E dos adultos. Palavra é arma. É preciso ter porte para usá-la.”

“Acordo estremunhado no meio da noite, o coração me esmurra por dentro, me sacode o peito – que é a porta por onde ele quer sair. Seguro firme do lado de fora, não deixo. Ele continua, ainda bate forte com as duas mãos, mas cai cansando, cansando, até que que desiste e se aquieta lá mesmo onde vive.”

Este romance não deixa você parar para tomar um café, ler uma mensagem no WhatsApp ou escrever um e-mail.

Consegui o contato do autor dessa obra-prima, Francisco Azevedo. Convidei-o para participar do nosso encontro literário Conversa entre Amigos, aqui em Curitiba.

Foi uma noite inesquecível pois ele é um ser tão almado que várias pessoas, seus leitores, ficaram emocionadas com a presença dele entre nós.

Depois de O Arroz de Palma recomendo que você leia outro romance de Francisco Azevedo que é muito interessante e se chama Os Novos Moradores e, se der tempo, passe seus olhos no último lançamento Eu Sou Eles (Fragmentos), cujo lançamento foi em novembro de 2018, no Rio, onde tive a oportunidade de estar presente.

Francisco hoje é meu amigo. Frequento sua casa no Rio. Ele é um homem que me faz não desistir da esperança: é um ser raro e em extinção.

Quero muito trazê-lo novamente para Curitiba – já vá reservando um espaço na sua agenda. Você vai amá-lo.

Agora eu entendo por que na capa de O Arroz de Palma tem um coração cheio de arroz. O coração representa o amor e o arroz, a simplicidade. Duas virtudes que se lê no olhar de Francisco. Agradeço ao meu amigo Michel pela indicação e fico feliz de saber que o livro se tornará uma novela de tevê para ser vista por todos os brasileiros.

Para ir além

O Arroz de Palma, Francisco Azevedo. Editora Record. 364 páginas. 2008. R$ 43,90

Os Novos Moradores, Francisco Azevedo. Editora Record. 420 páginas. 2017. R$ 54,90.

Eu Sou Eles (Fragmentos), Francisco Azevedo. Editora Record. 280 páginas. 2018. R$ 44,90.

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